Professores reivindicam melhores condições de trabalho em seu dia
A Organização de Trabalhadores da Educação do Paraguai-Sindicato Nacional (OTEP-SN) denuncia "a maior contradição do sistema educativo paraguaio" e questiona o rumo das políticas públicas. "Se impõe a educação inclusiva como bandeira, mas se abandona o docente à sua sorte", assinalam, ao mesmo tempo que advertem sobre um contexto de "abandono institucional" e falta de condições básicas.
Blanca Ávalos, dirigente do grêmio, também aponta contra o que qualificou como práticas autoritárias dentro do Ministério da Educação. "É preciso combater na educação o autoritarismo, porque todos os ministros... tomaram posições muito radicais. Não se escuta a proposta dos docentes nem dos alunos".
O grêmio também questiona a crescente carga sobre os educadores sem respaldo institucional. "Sem psicólogos, sem acompanhantes, sem equipes técnicas. Tudo recai sobre o professor", assinalam. Nessa linha, descrevem que o papel docente transbordou: "Se lhe exige ser docente, orientador, assistente social e até sustento emocional, mas sem recursos".
A isso se soma a precariedade em infraestrutura e condições de ensino. "Em muitas instituições, as crianças estão fora da sala de aula porque as classes foram clausuradas", indicam.
También cuestionam a gestão administrativa do MEC, em particular o programa Cero Papel. "Isso foi um discurso, as documentações se remetem em forma digital e também física, e isso é gasto duplo", criticou, ao mesmo tempo que assinalou uma sobrecarga burocrática que afeta a tarefa pedagógica.
Outro ponto de conflito é o desconto de 3% aplicado ao salário docente, qualificando a medida como "um golpe baixo" no mês do professor. Amanhã à noite, os integrantes da OTEP-SN realizarão um ato em frente ao MEC e na sexta-feira 1º de maio, Dia do Trabalhador, marcharão até o Ministério da Economia e Finanças (MEF).
Em paralelo, a OTEP Auténtica-SN convocou os docentes a se mobilizarem amanhã em frente ao Panteão dos Heróis, em defesa da profissão. "Hoje, quando o governo insiste em atropelos contra nossas conquistas históricas, contra a estabilidade laboral e contra a aposentadoria digna, é mais urgente que nunca estar unidos e nas ruas", expressaram.
O grêmio insistiu em destinar 7% do PIB à educação e garantir "gratuidade e qualidade" em todos os níveis, além de reivindicar a carreira docente.
O Paraguai conta com 78.344 docentes e enfrenta uma renovação constante por aposentadorias e déficits em especializações. "Há uma saída estimada de uns 300 docentes, diretores ou supervisores a cada um ou dois meses", explicou, o que obriga a cobrir vagas de forma permanente, assinalou a vice-ministra da Educação, Marien Martínez, na Radio Nacional.
Quanto à formação, reconheceu que há um déficit maior no terceiro ciclo e no ensino médio, sobretudo em matérias como Ciências, Matemáticas, Química e Biologia", enquanto na educação escolar básica existe inclusive superávit, por isso a formação nesse nível foi suspensa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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