Senado recua na sanção a governações pelo manejo do programa Fome Zero
Projeto não obteve os votos necessários para ratificação; decisão revela divisões sobre controle do programa
O Senado precisava de 23 votos para a ratificação do projeto que exclui as governações de Alto Paraná e Concepción da administração do programa Fome Zero, mas obteve apenas 13. Contraditoriamente, 12 opositores acompanharam a iniciativa do cartista Silvio Ovelar, além do dissidente Alfonso Noria, enquanto que os cartistas aceitaram a sanção com a versão da Câmara dos Deputados.
Durante a discussão, o líder de bancada de Honor Colorado, Natalicio Chase, argumentou que as dúvidas que haviam motivado a sanção política já estão sendo objeto de verificação por parte da Controladoria Geral da República (CGR) e apontou que, após conversações com o Poder Executivo, a proposta é manter o esquema original de execução do programa.
A senadora Yolanda Paredes questionou a possibilidade de reverter a medida, especialmente no caso da governadora de Concepción, Liz Meza, e relembrou as denúncias de ostentação da celebração do aniversário de 15 anos de sua filha.
"Que frágil é nossa memória. Deixamos passar três meses e nos esquecemos da festa de 15 anos ostentosa de uma governadora. De nenhum ponto de vista se justifica aquela festa vergonhosa diante de toda a população paraguaia, diante de toda a cidadania", indicou, ao tempo em que questionou o salário de uma governadora e citou números como G. 15 milhões e G. 20 milhões.
"Foi uma decisão tomada com justiça dentro do Senado paraguaio", afirmou a legisladora, ao tempo em que advertiu que devolver a administração de Fome Zero às governações enviaria uma mensagem equivocada à cidadania. Paredes também questionou os custos do programa e denunciou supostos benefícios desproporcionais para empresas fornecedoras e atores políticos.
Por sua vez, o senador José Oviedo pediu explicações a Silvio Ovelar a respeito da mudança de postura assumida pelo Senado e expressou preocupação com a fragilidade das decisões adotadas pela Câmara.
Ovelar defendeu sua posição e explicou que a estratégia inicial do Senado buscava gerar um debate e forçar controles sobre a execução do programa. Indicou que não tinha muita expectativa de que os deputados pudessem acompanhar a iniciativa.
Além disso, apontou que esperava contar nesse momento com o resultado do exame especial. "Eu sei que a Controladoria fez trabalhos com respeito ao programa Fome Zero das governações e em particular destas que nós havíamos decidido destinar seu fundo ao Ministério do Desenvolvimento Social (Concepción e Alto Paraná) e até hoje não chegou esse documento", manifestou.
"Não devemos nos afogar também em um copo de água", expressou e acrescentou que a decisão da Câmara Alta pode ser testemunhal ante a possibilidade de que o Poder Executivo vete a proposta.
Nesse sentido, relembrou que a Câmara de Deputados rejeitou a proposta de exclusão e argumentou que o cenário mais favorável para introduzir mudanças definitivas será durante o estudo do Orçamento Geral da Nação.
O legislador sustentou que o Senado conta com maiores ferramentas de incidência durante a discussão orçamentária e propôs que, chegado esse momento, pudessem ser realocados os recursos ao Ministério do Desenvolvimento Social se persistirem as dúvidas sobre a gestão de determinadas governações.
O senador Walter Kobylanski questionou que o Congresso recue em uma medida que havia sido respaldada anteriormente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.