Segue a rabona: Cartistas deixam sem quórum em meio a discussão sobre recursos para médicos
Legisladores cartistas abandonam sessão extraordinária quando constata-se falta de quórum durante debate sobre orçamento e reivindicações da categoria médica
Com a intenção de limitar o debate, desenvolveu-se uma sessão extraordinária com 29 senadores presentes, a partir das 10:15, deixando sem efeito a ordinária. Desta forma, os legisladores teriam apenas cinco minutos para falar em meio a uma agenda repleta, na qual os opositores despotricaram contra o Governo. Às 11:26, Ramón Retamozo, que presidia o plenário, revisou a assistência e ao constatar-se apenas 21 presentes, levantou a sessão.
O cartista Silvio Beto Ovelar falou do orçamento e dos reclames que podem influenciar seu tratamento. Nesse sentido, admitiu que existe uma necessidade de reduzir e racionalizar os gastos mediante uma "lipoaspiração orçamentária".
Reiterou que quando propôs reajustar o imposto de renda pessoal (IRP), na verdade, quis referir-se ao imposto de renda empresarial (IRE) e embora os sindicatos já se pronunciassem contra, defende esta posição para obter recursos e diz que não haverá alternativa dentro de três a cinco anos.
"Estou convencido da necessidade de que em algum momento elevemos nossa pressão tributária", insistiu e reafirmou que o presidente Santiago Peña não concorda com este posicionamento.
Além do IRE, mencionou a possibilidade de aumentar o imposto sobre tabaco, álcool e bebidas açucaradas.
Blanca Ovelar reclamou do silêncio do mandatário aos médicos que se mobilizaram e entraram em greve durante uma semana.
"Estou extremamente estranhada da ausência do presidente no tema da greve dos médicos. Como é possível que o presidente não tenha saído para dizer algumas palavras, diante daquela mobilização que foi histórica, nunca no Paraguai se mobilizaram tantos médicos juntos", reclamou.
Denunciou que a governadora de Concepción, Liz Meza, ameaçou retirar o orçamento dos médicos que aderissem à greve.
Mostrou-se indignada com o argumento de que "não há dinheiro" do Ministério de Economia e Finanças (MEF) porque considera que dessa forma um Estado não funciona.
Como uma das fontes de financiamento apontou a Lei de Incentivo Fiscal, por meio da qual o Estado deixa de perceber recursos milionários há mais de 20 anos sob a desculpa de atrair investimentos. A respeito disso, leu um informe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que alertava sobre os efeitos mínimos e nulos desta medida sobre o investimento estrangeiro, com a ressalva de que pesa mais a qualidade institucional e a disponibilidade de trabalhadores qualificados.
O liberal Eduardo Nakayama apontou que vinha se arrastando uma contradição com o pagamento de seguro médico privado a funcionários públicos, enquanto os demais devem contribuir ao Instituto de Previsão Social. Comentou que este gasto representa cerca de USD 100 milhões que poderiam ir ao sistema público, referindo-se ao projeto que elimina este orçamento.
"Por que continuar jogando dinheiro no setor privado, onde realmente não temos retorno, e no entanto, o sistema público de saúde carece de insumos, carece de medicamentos, carece de especialistas e encima agora se dá a audácia de poder prescindir dos poucos especialistas que temos", reclamou.
Também se referiu às declarações de descrédito que o cartismo tenta instalar contra os sindicalistas para desacreditar suas reivindicações. "Entre vocês também há muitos malandros, há muitos que recebem não sei quantos rubros e não vão trabalhar", apontou.
Ignacio Iramain primeiro se queixou de que novamente se convoque uma sessão extraordinária para limitar o debate, já que cada legislador tem neste espaço apenas cinco minutos para falar.
Questionou a posição tomada ante a mobilização dos médicos e sustentou que era necessário ter uma atitude mais incisiva do Congresso Nacional para com os problemas concretos dos paraguaios.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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