Cifras alarmantes do IPS: Estado e setor privado devem USD 1.751 milhões
Ao encerramento do exercício fiscal 2025, o Instituto de Previsão Social (IPS) registrava G. 5.044.719.918.843 como dívida do Estado paraguaio, acumulada desde 1944 até 2025 e atribuíveis ao Fundo Comum de Jubilações e Pensões.
De acordo com a diretora de Controle Governamental da Contraloría General de la República, Gladys Fernández, por lei, o Estado paraguaio deve transferir ao IPS uma contribuição obrigatória (1,5% sobre os salários) destinada a financiar a Caixa de Jubilações.
"O Estado quase nunca pagou: entre 1944 e 2025, a dívida total somou mais de G. 6 trilhões. O Estado apenas transferiu G. 968.072.863.105 (apenas 16,1% do total) e o fez durante a pandemia da Covid-19 (anos 2020 e 2022). O saldo que se deve: ao encerramento de 2025, o Estado paraguaio deve ao IPS G. 5.044.719.918.843 (mais de cinco trilhões de guaraníes)", explicou à Última Hora.
A Contraloría General de la República (CGR) apontou no documento que durante o período auditado não se evidenciaram avanços concretos para recuperar esse saldo. A dívida consta nos estados financeiros do IPS dentro da conta Dívidas do Estado.
A esse montante somavam-se G. 5.426.853.215.255 em dívidas patronais em gestão de cobrança, registradas nas contas correspondentes a contribuições vencidas. A CGR verificou que G. 1.920.450.749.915 dessa carteira corresponderiam a recursos atribuíveis ao Fundo Comum de Jubilações e Pensões (FCJP).
O órgão de controle tampouco evidenciou que a Direção de Administração de Jubilações realizasse o acompanhamento do estado de recuperação desses recursos.
Para precisar, ao Fundo Comum em total se deve o equivalente a 1,5% dos salários de todos os trabalhadores contribuintes do país, que totaliza G. 5,04 trilhões, e a dívida patronal atribuível ao FCJP, que é de G. 1,9 trilhões, chegando a quase G. 7 trilhões. Por parte do setor patronal se deve ao Fundo de Saúde aproximadamente G. 3,5 trilhões.
Enquanto isso o IPS está pagando jubilações hoje usando as rendas de seus investimentos porque o FCJP não recebeu esses G. 6,9 trilhões.
Entre as irregularidades observadas na auditoria figura um empréstimo de G. 79.459.418.844 concedido em 31 de dezembro de 2001 pelo Fundo Comum de Jubilações e Pensões ao Fundo de Doença e Maternidade.
A dezembro de 2025, 24 anos depois da operação, o dinheiro ainda não foi restituído. A CGR lembrou que a Lei Nº 1822/01 estabelecia que o prazo de reposição não poderia superar os três anos.
A auditoria também detectou um saldo pendente de recuperação de G. 28.028.245.484, correspondente a proventos jubilatórios pagos após o falecimento de aposentados e pensionistas que não tinham beneficiários com direito a pensão.
Na área imobiliária, a Contraloría constatou que a conta de "Aluguéis a Cobrar em Gestão Judicial" registrava G. 49.947.476.884 a 31 de dezembro de 2025.
O registro não estava atualizado e continha saldos antigos, inclusive desde 2018, além de inclusões parciais realizadas a modo de teste. Segundo a CGR, a conta não refletia a totalidade dos créditos que estavam em gestão judicial devido a dívidas pendentes de incorporação e à falta de atualização dos registros.
A auditoria também apontou que o IPS não havia divulgado nas notas aos seus estados contábeis os juros moratórios, multas contratuais, acréscimos e IVA acumulados associados a esses aluguéis judicializados.
Em outro dos achados, a CGR constatou que os ingressos por cânones correspondentes a 2025 eram apresentados com critérios diferentes por distintas dependências do IPS e que não existiam mecanismos de conciliação para relacionar a informação das planilhas de ingressos, o Estado de Resultados e o Boletim de Portfólio de Investimentos.
O portfólio de imóveis de renda do IPS (valorizado em G. 1.974.585.076.646) não alcança o rendimento...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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