Secretário-geral da OEA pede intensificação da pressão contra Nicarágua por reforma eleitoral
Chamado para intensificar pressão internacional
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, solicitou domingo elevar a pressão contra o governo da Nicarágua para impedir que exclua a oposição em processos eleitorais, conforme reforma constitucional que será submetida a votação no próximo 21 de setembro.
A reforma, impulsionada pelos copresidentes Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, busca estabelecer mandatos de sete anos renováveis e restringe a participação eleitoral de opositores considerados pelas autoridades como "traidores à pátria".
Reunião urgente de chanceles convocada
A OEA aprovou em 19 de agosto uma resolução impulsionada pelos Estados Unidos para convocar reunião "urgente" de chanceles em Washington que debata ações frente ao plano do governo da Nicarágua de eliminar as eleições competitivas. Ainda não foi estabelecida data para este encontro.
"Esperamos que os ministros, além do simbolismo, possam tomar decisões individuais, coletivas, para castigar, para exercer mais pressão sobre a Nicarágua", expressou Ramdin durante entrevista.
"É importante que (...) todos rejeitem esta ideia de que um governo, eleito de forma duvidosa, pode determinar quais são os direitos do povo", acrescentou.
Contexto político na Nicarágua
Ortega, ex-guerrilheiro esquerdista de 80 anos, e sua esposa, cinco anos mais jovem, governam com poder absoluto e forte controle sobre a sociedade nicaraguense, após as protestas de 2018 cuja repressão deixou aproximadamente 300 mortos segundo a ONU, e centenas de milhares de exilados.
Possíveis formas de pressão
Ramdin indicou que a pressão contra o governo da Nicarágua pode ser "econômica", em "termos de voos", em "apoio político ou participação em organizações internacionais".
"Há muitas formas, cabe aos Estados membros decidir, mas esta é uma oportunidade", sinalizou.
Aprovação prevista da reforma
O presidente da Assembleia Nacional da Nicarágua, Gustavo Porras, afirmou sábado que em 21 de setembro o Órgão Legislativo, controlado pelo oficialismo, aprovará a reforma constitucional, que deverá ser ratificada no próximo ano em nova votação.
Porras adiantou durante o processo de consulta sobre o texto com setores afins ao oficialismo que todos aqueles que o governo considere "golpistas" ou "traidores à pátria" não poderão se apresentar a eleições.
Restrições adicionais contempladas
O projeto também endurece as restrições políticas para quem as autoridades considerem vinculado às protestas de 2018, "responsáveis por promover sanções internacionais ou de prejudicar a independência, soberania e autodeterminação do país".
Objetivos da pressão internacional
Segundo Ramdin, o objetivo da pressão é obrigar o governo da Nicarágua a "iniciar discussão sobre transição para democracia plena" e para eleições "críveis e acessíveis para todos os nicaraguenses, em liberdade e com resultados justos".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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