Salvadorenhas transformam bairros com murais de arte e cor
Três artistas utilizam pintura para cobrir marcas de violência e reconstruir comunidades
Na colônia 10 de Outubro, um labirinto de casas humildes e ruas íngremes localizado em San Marcos a cerca de 10 km de San Salvador, três salvadorenhas utilizam paleta, pincéis e aerossol para transformar o rosto de sua comunidade. Patricia Vega, Marcela Alvarenga e Elizabeth Guardado criam murais multicoloridos que cobrem antigas marcas territoriais de gangues, abrindo espaço para pássaros, flores e paisagens que simbolizam a reconstrução.
A colônia foi cercada em 2024 em uma operação que permitiu retomar espaços públicos historicamente controlados. Desde então, militares e policiais patrulham permanentemente a zona. "O mural representa um antes e um depois", destaca Alvarenga, de 27 anos, expressando a satisfação em contribuir na recuperação de um lugar que durante anos foi inacessível sem autorização de grupos delitivos.
Rompendo barreiras sociais
As três muralistas vivem em Mejicanos, uma localidade próxima que também experimentou a presença de gangues. Desde a infância aprenderam a estar em alerta constante. Vega, de 30 anos, descreve esse sentimento como "medo de sobrevivência" e prefere não compartilhar com sua família os detalhes de seus trabalhos na colônia para evitar preocupações.
Apesar das mudanças de segurança na zona, vários vizinhos admitiram temer possíveis "remanescentes" de grupos delitivos. Entretanto, muitos expressaram satisfação ao ver desaparecer símbolos da violência que marcou profundamente suas comunidades.
Vega, Alvarenga e Guardado foram convidadas por PigmenTrip, um coletivo dedicado a transformar comunidades e fomentar a inclusão social através de arte urbana. Para essas artistas, intervir os muros representa também "romper barreiras" sociais. "É uma forma de me empoderar como mulher, jovem e profissional", expressa Guardado.
Inspiração para as novas gerações
As três muralistas reconhecem que fora desses projetos, as mulheres enfrentam obstáculos significativos nas artes, onde frequentemente são relegadas a papéis secundários ou de apoio. Em seu mural, Alvarenga pintou uma menina aprendendo a pintar losangos coloridos. Com essa representação, busca inspirar as gerações mais jovens e demonstrar que "há mulheres lá fora fazendo mais".
"Não é algo fácil de conseguir. É uma grande oportunidade e um grande desafio por sermos mulheres e jovens. Temos que nos abrir caminhos e ser faróis para outras", reflete Guardado sobre a importância de seu trabalho na transformação de espaços públicos e na inclusão das mulheres na arte urbana.
Os murais da colônia 10 de Outubro constituem mais que intervenções artísticas; representam um processo de cura comunitária e um testemunho do potencial transformador da arte em espaços que enfrentaram histórias de violência.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.