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Paraguai

Resgata-se tradição oral sobre as mulheres de Minas Cué durante a Guerra contra a Tríplice Aliança

Livro documenta relato transmitido por gerações em Valenzuela sobre episódio de 1869

24/08/2026 15:15 4 min lectura 41 visualizações

Recuperação da memória histórica local

Um relato transmitido durante gerações na memória dos habitantes de Valenzuela agora busca ser documentado e conhecido pelas novas gerações. Trata-se da história das denominadas 'as 30 mulheres de Minas Cué', que, segundo a tradição oral, teriam estado presentes em uma antiga mina de enxofre durante a Guerra contra a Tríplice Aliança, em 1869.

A história é recolhida no livro Minas Cué. Cuentan que eran 30, escrito por Virgilio Cantero e Nelly Vázquez, pesquisadores vinculados ao resgate da memória histórica e à promoção cultural de Valenzuela.

Contexto histórico do sítio

O episódio situa-se em uma antiga mina de enxofre que funcionava a poucos quilômetros do centro histórico da cidade. Durante a guerra, o lugar tinha importância estratégica devido ao fato de que o enxofre extraído era trasladado para San José para elaborar pólvora.

De acordo com a memória popular, quando as tropas aliadas avançaram sobre a zona, as mulheres que laboravam na mina teriam decidido permanecer no lugar e resistir, apesar da ordem de evacuar. Segundo esta tradição, posteriormente foram capturadas.

Um episódio que requer maior investigação

Contudo, os autores esclarecem que este episódio não pode ser apresentado ainda como um fato plenamente comprovado.

'Em Valenzuela tem-se a tradição oral de que aqui morreram 30 mulheres, mas não se têm documentos fidedignos para demonstrar isso', explicou Cantero.

Por esse motivo, Minas Cué. Cuentan que eran 30 apresenta o relato como uma hipótese e busca aportar elementos que permitam continuar investigando o que realmente ocorreu naquele sítio durante a contienda.

Fontes documentais utilizadas

Um dos documentos encontrados pelos autores é um manuscrito de Zenón Ramírez, segundo no comando das instalações da mina de enxofre, enviado em 1918 a Juan Silvano Godoy, diretor da Biblioteca, Museu e Arquivo Nacional.

A missiva aporta dados sobre o funcionamento da mina, a extração do enxofre, os trabalhadores e as circunstâncias que rodearam a evacuação do lugar ante o avanço das tropas aliadas. Também menciona a presença de um engenheiro inglês e um suposto processamento de ouro nas instalações.

Contudo, a carta não menciona diretamente as mulheres nem confirma o episódio das 30 vítimas. Para Cantero, esta ausência também demonstra a necessidade de seguir buscando fontes que permitam contrastar a tradição oral.

Testemunhos comunitários

Outro elemento utilizado na investigação é o testemunho de María del Rosario Velázquez, uma mulher nascida em Valenzuela em 1857, que teria tido 12 anos quando ocorreram os acontecimentos. Seu relato foi recolhido pelo professor Anuncio Salinas, pai da professora Benita Salinas, que posteriormente continuou o trabalho de preservação da história comunitária.

Metodologia de investigação e propósito educativo

A partir destas fontes, os autores constroem um relato que combina fatos e personagens da época com recursos narrativos. A intenção, segundo Cantero, não é unicamente reconstruir um episódio da guerra, mas utilizá-lo como uma porta de entrada para que crianças e jovens conheçam a história de sua comunidade.

'A ideia que fazemos com este livro é apresentar este fato através de um conto e que isso seja como uma espécie de disparador para outras gerações, para outros pesquisadores', apontou Cantero.

Valorização da tradição oral

A obra também busca colocar em discussão o valor da tradição oral como parte da memória histórica. Para os pesquisadores, numerosos acontecimentos da história local e nacional foram preservados através da transmissão oral, constituindo uma fonte essencial para a reconstrução do passado.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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