República Democrática do Congo enfrenta a epidemia de ébola mais mortífera de sua história
Situação crítica no país africano
A República Democrática do Congo registra mais de 5 mil casos de ébola até o miércoles, conforme anunciou a agência de saúde da União Africana (Africa CDC). O país experimenta a epidemia mais mortífera de sua história, avançando em uma velocidade sem precedentes.
De acordo com os últimos dados publicados pela Africa CDC, a epidemia causou 2.378 mortes de um total de 5.021 casos confirmados. Em apenas três meses, o surto superou o balanço da epidemia de 2018-2020 no leste do país, que até então era considerada a mais mortífera, com 2.299 mortos de 3.381 casos confirmados.
Declaração tardia e resposta sobrecarregada
A República Democrática do Congo declarou em 15 de maio, com várias semanas de atraso, sua décima sétima epidemia de ébola em regiões do norte e do leste do país. Estas zonas se caracterizam por uma presença fraca do Estado, infraestruturas sanitárias deficientes e uma resposta que foi sobrecarregada pela rápida explosão de casos.
Para este país africano de mais de 100 milhões de habitantes, considerado um dos mais pobres do mundo, o surto superou a capacidade de resposta diante do aumento acelerado dos casos.
Advertência internacional sobre o controle da epidemia
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), advertiu na terça-feira que a epidemia está "longe de estar sob controle" e alertou sobre um risco alto de propagação internacional.
"Há três meses declarei que a epidemia da doença pelo vírus Bundibugyo na RDC constituía uma emergência de saúde pública de importância internacional. Desde então, a epidemia se propagou rapidamente e o risco de uma maior expansão nacional e internacional continua sendo alto", declarou o diretor da OMS durante uma reunião do Comitê de Emergência sobre o ébola.
Características do vírus e desafios sanitários
O ébola se transmite por contato com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica. O vírus Bundibugyo, responsável do surto atual, apresenta um desafio particular: não existe nenhuma vacina nem tratamento específico aprovado contra esta cepa, embora haja ensaios clínicos em andamento.
A resposta sanitária enfrentou críticas por sua lentidão e falta de organização. Além disso, se deparou com a desconfiança de uma parte da população nas regiões afetadas.
Historicamente, o ébola causou mais de 15 mil mortes na África durante os últimos 50 anos.
Resposta internacional
A comunidade internacional começou a responder diante da crise. A União Europeia anunciou na terça-feira o envio de testes de detecção no valor de 2,5 milhões de euros para apoiar os esforços de diagnóstico e contenção.
Avaliação de riscos da OMS
Atualmente, a OMS considera que o nível de risco para a saúde pública é "muito alto" na República Democrática do Congo, "alto" em Uganda e outros países fronteiriços com RDC, e "baixo" no resto da África e do mundo.
O Comitê de Emergência da OMS se reuniu pela segunda ocasião desde que a organização declarou em 17 de maio uma emergência de saúde pública de importância internacional, seu segundo nível de alerta mais elevado. Embora a organização ainda não tenha confirmado quando publicará novas recomendações, parece improvável que os especialistas recomendem levantar o alerta.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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