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Eleições no Brasil: o campo observa o segundo turno com expectativas de mudanças na economia, comércio e Mercosul

Setor agropecuário brasileiro vê resultado da primeira volta como sinal relevante para política econômica e relações comerciais

05/10/2026 11:45 3 min lectura 24 visualizações

O resultado da primeira volta das eleições presidenciais no Brasil deixou Flávio Bolsonaro à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abriu um novo cenário político para o principal produtor agropecuário da região. Desde a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), uma das principais organizações representativas do campo brasileiro, observam o resultado como um sinal relevante para o setor produtivo e esperam mudanças na política econômica, segurança jurídica e relações comerciais caso Bolsonaro finalmente se imponha no segundo turno.

Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro obteve 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 53.876.617 votos, o que representa 45,16%, de acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambos voltarão a se enfrentar no segundo turno previsto para 25 de outubro.

Em conversa com Valor Agregado, Gedeão Pereira, vice-presidente da CNA e produtor do Rio Grande do Sul, apontou que o resultado foi recebido com atenção dentro do setor agropecuário, em um contexto no qual uma parte importante do agro brasileiro mantém fortes divergências com a administração de Lula.

Pereira colocou especialmente o foco na situação econômica do Brasil, no elevado custo financeiro e no nível de endividamento que enfrenta uma parte do setor agropecuário. De acordo com sua explicação, a combinação de taxas de juros elevadas e dificuldades para acessar financiamento competitivo vem condicionando os investimentos e a rentabilidade dos produtores.

Endividamento, taxas de juros e segurança jurídica

"Hoje estamos com muita dificuldade no país", afirmou. O dirigente sustentou que o endividamento dentro do agro brasileiro é elevado e questionou que uma proporção importante dos recursos anunciados dentro dos planos agrícolas termine chegando ao produtor a taxas de mercado. Em sua avaliação, um dos principais desafios do próximo governo será avançar em uma correção fiscal que permita gerar condições para reduzir as taxas de juros.

Dentro desse cenário, Pereira considera que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro poderia gerar uma relação diferente com o setor agropecuário. Entre os pontos que destacou aparecem maior previsibilidade para os investimentos, segurança jurídica e o desenvolvimento da infraestrutura necessária para acompanhar o crescimento da produção brasileira, principalmente nas regiões do centro-oeste e norte do país.

A relação comercial com os Estados Unidos também aparece entre as expectativas. O vice-presidente da CNA apontou que uma eventual afinidade política entre Bolsonaro e Donald Trump poderia melhorar o diálogo bilateral, ainda que tenha deixado claro que cada país continuará defendendo seus próprios interesses.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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