Regulação do uso de celulares não deve vulnerar direitos da infância mexicana, dizem especialistas
Debate organizado pela Universidade Iberoamericana discute proposição da presidenta Claudia Sheinbaum
Em uma mesa de diálogo organizada pela Universidade Iberoamericana (Ibero), na Cidade do México, abogados, psicólogos e pedagogos apoiaram a medida de regular o uso de dispositivos tecnológicos em ambientes educacionais, uma proposta apresentada pela presidenta do México, Claudia Sheinbaum, em junho passado.
No entanto, o abogado e especialista em direitos da infância Ricardo Ortega Soriano indicou que nenhuma proibição deve ser considerada uma "panaceia", já que costumam derivar no "reducionismo" de problemas estruturais que, neste caso, envolvem grandes empresas tecnológicas como Meta, que atualmente enfrenta um julgamento histórico pela suposta dependência que suas plataformas geram.
Ortega Soriano recordou que, segundo a Unesco, mais de 114 países estabeleceram limites no uso de dispositivos no contexto escolar por "razões pedagógicas e de convivência escolar".
Explicou que essas regulamentações, além de estarem acompanhadas de políticas públicas educacionais integrais, devem ser "proporcionais", de modo que não vulnerem a "integridade" dos menores nem gerem "contextos de incomunicação".
A diretora do Departamento de Psicologia, Sandra Irma Montes de Oca, argumentou que a proposta apresentada pelo Poder Executivo teria que estabelecer regras claras sobre quando, em quais espaços educacionais e para quais estudantes a proibição seria aplicada, considerando que em países como Austrália as redes sociais são proibidas para menores de 16 anos.
Além disso, especificar se haverá "exceções explícitas" em sua aplicação, já que lembraram que estudantes com autismo têm se apoiado em dispositivos tecnológicos para poder se comunicar e se desenvolver nos espaços educacionais.
Nesses casos, mencionou, também deveriam ser consideradas as medidas de "emergência e segurança", já que os celulares se tornaram a ferramenta com a qual crianças e adolescentes se comunicam com seus familiares.
"Como os pais vão se comunicar com as crianças? A escola deveria ter meios institucionais para estabelecer essa comunicação", destacou.
Montes de Oca insistiu que as regras nesta matéria devem ser "claras, consistentes e conhecidas por toda a comunidade" para evitar "confiscos prolongados, respostas desproporcionais ou sanções que terminam excluindo o estudante do aprendizado".
Assim também considerou fundamental que a iniciativa não se reduza a "tirar os celulares das escolas", pois essa medida não necessariamente se traduz em recuperar a "atenção" que os alunos perderam nas salas de aula.
Por exemplo, afirmou, na Inglaterra as políticas restritivas reduziram em aproximadamente 40 minutos o uso de celulares na jornada escolar, mas não marcaram uma diferença no bem-estar emocional dos menores, que se conectavam às plataformas digitais ao sair das aulas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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