Redução de comissões de cartões beneficia comércios mas impacta empresas fintech
Novos limites entram em vigor e geram tensão entre regulador e setor de tecnologia financeira
Novas comissões em vigor
Desde ontem passam a vigorar os novos porcentuais máximos das comissões de intermediação aplicadas às transações com cartões de crédito (3%) e débito (2%). A redução do teto das comissões pelo processamento de pagamentos com cartões representa um alívio para os comércios e pode impulsionar uma maior adoção dos meios de pagamento eletrônicos.
Impacto no setor fintech
Pela Câmara Paraguaia de Fintech (serviços financeiros digitais), sustentam que a regulação também gera um forte impacto sobre as empresas tecnológicas do setor, cujas margens se reduzem e cujo modelo de negócio fica comprometido.
Diego García, representante do sindicato e da plataforma de pagamentos Mas-fazzil, explicou que a regulação impulsionada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) partiu de uma necessidade real: diminuir os elevados custos que enfrentavam os comércios ao aceitar pagamentos com cartões de crédito e débito.
Contexto prévio de altas comissões
Recordou que o Paraguai chegou a registrar comissões superiores a 5%, uma das mais altas da região, em um mercado que ainda tinha baixa bancarização e escasso volume de transações. Nesse contexto, considerou positivo que os comércios hoje enfrentem custos menores, já que isso incentiva a incorporação de terminais POS e fomenta o uso de meios de pagamento eletrônicos.
"Para o comércio é uma boa medida porque sacrifica menos margem e fica mais atrativo cobrar com cartões", assinalou García.
Custos operacionais persistentes
Contudo, advertiu que a redução obrigatória das comissões não elimina os custos operacionais que seguem enfrentando processadoras e fintechs, como a importação e manutenção de equipamentos, o suporte técnico, a gestão comercial e a infraestrutura tecnológica.
Segundo García, o principal problema é que as fintechs dependem das processadoras para oferecer seus serviços e atualmente pagam praticamente o mesmo custo que um comércio para processar uma transação.
Explicou que o novo limite de 2% estabelecido para as comissões faz com que muitas fintechs percam rentabilidade, já que esse porcentual coincide com o custo que elas mesmas devem pagar às processadoras.
"Nosso custo já é de 2% e o Banco Central nos diz que não podemos cobrar mais que esse porcentual. Automaticamente deixamos de ter margem para operar", afirmou.
Reconfiguração de receitas
Diante dessa situação, indicou que as empresas deverão deslocar parte de suas receitas para outros conceitos, como cobranças por integração tecnológica, licenças, manutenção ou serviços adicionais, em vez de obtê-las através das transações.
Processo regulatório sem consulta prévia
Um dos principais questionamentos é que a regulação foi elaborada sem consultar previamente todos os atores do ecossistema. García sustentou que o Banco Central não considerou a estrutura de custos das fintechs nem o funcionamento das relações entre bancos, processadoras e subadquirentes.
"Quando explicamos como funciona nosso negócio nos responderam que não sabiam, justamente porque nunca se consultou o setor antes de tirar a regulação", disse.
Em sua opinião, o foco deveria ter sido colocado primeiro em regular as condições de competência entre processadoras e subadquirentes, antes que fixar um preço máximo para o comércio.
Propostas de diálogo setorial
O representante do setor destacou que o BCP mudou sua metodologia de trabalho em outros projetos, como o desenvolvimento do QR interoperável, onde participaram bancos, cooperativas, processadoras e fintechs em mesas técnicas.
Considerou que esse modelo de diálogo permite desenhar regulações mais eficientes e adaptadas à realidade do mercado.
Igualmente, assinalou que o Banco Central analisa novas iniciativas de forma colaborativa com o setor, o que demonstra que é possível uma abordagem diferente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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