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Paraguai

Redes sociais, restrições nos EUA e o caso Paraguai: "Faça o impossível para tirar seu filho de lá"

Especialista em saúde digital comenta o histórico acordo de Meta e alerta sobre a falta de regulação no Paraguai

27/08/2026 17:00 3 min lectura 17 visualizações

O gigante norte-americano Meta aceitou pagar quase USD 17 bilhões e restringir Instagram e Facebook para adolescentes nos Estados Unidos, em um acordo que encerra um histórico processo judicial contra a empresa por vício de menores em redes sociais.

Este entendimento resolve a parte mais pesada de múltiplas acusações contra todas as redes, apontadas de terem provocado uma crise de saúde mental entre os jovens norte-americanos.

A respeito disso, o especialista em saúde digital e risco cibernético Miguel Ángel Gaspar celebrou o acordo e as restrições, especialmente pelas crianças, como um avanço, embora ainda se encontre distante de que algo similar ocorra no Paraguai.

Gaspar é diretor de Ciberpadres América Latina, uma rede de assistência integral que busca proteger, prevenir e acolher as famílias em casos de ciber-adições, ciber-assédio, ciberbullying, ciber-abuso, sexting, grooming e stalking.

"Primeiro, desde nosso lugar de trabalho, desde Ciberpadres, estamos todos felizes porque tudo o que podemos dizer é 'tínhamos razão'. Há 12 anos que estamos falando sobre isso e nos trataram de loucos, de exagerados, mas nos mantivemos com as demonstrações científicas que foram feitas e que explicam às pessoas, de forma simples, e podem até ver seguindo o processo, que é um produto (por Instagram e Facebook), um modelo de negócios para adultos, altamente viciante em crianças e adolescentes. Isso é uma realidade", manifestou Gaspar em conversa com a rádio Monumental 1080 AM.

"Então a primeira mensagem para as pessoas que estão lá: 'Por favor, se seu filho tem menos de 16 anos, faça o impossível para tirá-lo desses lugares porque você está obrigando uma criança a conviver em um modelo de negócios para adultos'. E sempre foi assim", disse o especialista e ativista digital.

Consultado sobre se o acordo de Meta nos Estados Unidos vale apenas para a jurisdição do tribunal que condenou Zuckerberg, Gaspar apontou que se trata de uma boa pergunta e citou o caso do Brasil como exemplo, lembrando que esse país "multou a Meta com USD 30 milhões e antes disso o governo de Lula, quando restringe os celulares da sala de aula, havia obrigado essas plataformas a remover algumas características de seu modelo de negócios, insisto, para adultos".

Quais são essas características? Gaspar citou o scroll ou deslocamento infinito, a publicidade invasiva, a coleta de dados pessoais comportamentais em crianças e acrescentou: "Se têm menos de 16, que para mim é a parte mais fraca, a conta obrigatoriamente deve estar vinculada aos pais, que são os responsáveis exclusivos pelo que faça e lhe aconteça ao filho nessa conta".

"Faça o impossível para tirar seu filho desses lugares porque você está obrigando uma criança a convivir em um modelo de negócios para adultos".

Entre outras restrições, Meta aceitou impedir que os adolescentes usem suas aplicações durante a noite e impõe um limite de duas horas de uso diário. Além disso, entre a meia-noite e as seis da manhã a plataforma estará bloqueada.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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