Rebeldes do Iêmen reivindicam ataque contra dois navios sauditas no Mar Vermelho
Hutis atacam petroleiros e abrem novo fronte na guerra EUA-Irã; Trump ameaça destruir pontes e usinas iranianas
Os rebeldes hutis do Iêmen reivindicaram os ataques contra dois petroleiros sauditas na quarta-feira no Mar Vermelho, abrindo um novo frente na guerra entre Estados Unidos e Irã que se expande pela região. Sua afirmação ocorreu enquanto Estados Unidos lançava uma nova onda de bombardeios contra objetivos militares iranianos, na décima segunda noite consecutiva de ataques estadunidenses contra o Irã.
Além disso, o presidente Donald Trump ameaçou na quarta-feira destruir pontes e centrais elétricas no Irã por cada ataque contra navios no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã advertiu sobre uma "resposta contundente". A expansão das hostilidades gera consternação sobre o abastecimento de petróleo bruto e gás pelo bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e o cerco aos portos da Arábia Saudita anunciado pelos hutis, aliados do Irã.
O bloqueio elevou os preços do petróleo e aumenta a pressão sobre Trump para buscar uma saída a um conflito antes de eleições legislativas de meio de mandato muito concorridas. Os hutis indicaram em um comunicado no Telegram que "realizaram uma operação militar qualitativa contra dois petroleiros sauditas que violaram o bloqueio", e identificaram os navios como Encelia e Layla.
Esse grupo controla o Estreito de Bab el Mandeb, no extremo sul do Iêmen, por onde os navios devem passar para chegar ao Canal de Suez, que conduz à Europa. A agência de segurança marítima britânica, UKMTO, informou que um projétil atingiu um petroleiro no Mar Vermelho, em frente às costas da Arábia Saudita.
Olho por olho
"Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, Estados Unidos bombardeará e destruirá UMA PONTE OU UMA CENTRAL ELÉTRICA", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
O chanceler do Irã, Abás Araqchi, respondeu que seu país lançará uma resposta contundente se atacarem suas infraestruturas civis.
"Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer ataque contra o Irã, incluindo nossas infraestruturas, provocará uma resposta contundente e decisiva", afirmou Araqchi em X.
Porém, o secretário de Estado, Marco Rubio, assegurou que Washington continua disposto a buscar uma solução diplomática com o Irã.
"Continuamos abertos a resolvê-lo de forma negociada. Mas, por enquanto, não parecem estar interessados nisso", declarou Rubio em uma reunião de ministros do sudeste asiático em Manila.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, os intercâmbios diplomáticos com Washington continuam.
À medida que a guerra se aproxima dos cinco meses e as eleições de novembro nos Estados Unidos se aproximam, Trump enfrenta uma pressão intensa para encerrar o conflito.
Os críticos apontaram o alto custo do conflito, que o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, calculou em 37.500 milhões de dólares, enquanto solicitava ao Congresso outros 67.000 milhões.
Trump desestimou as pesquisas e afirmou que "os estadunidenses não querem preços altos da gasolina, mas não são contra a guerra".
O mandatário compareceu na quarta-feira a uma cerimônia para receber os restos de quatro militares estadunidenses mortos na guerra, um tema muito sensível para a opinião pública.
"Todos eles afirmaram, com grande firmeza, que não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear, então vamos honrá-los", declarou ao evocar uma das razões que propiciaram a guerra iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel.
Complexo nuclear
Trump assegurou que o próximo objetivo de Estados Unidos poderia ser um complexo subterrâneo em Kuhe Kolang-e Gaz La, perto de Natanz, onde as agências de inteligência ocidentais suspeitam que o Irã constrói uma instalação não declarada de enriquecimento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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