Quem é 'Marlon', o guerrilheiro a quem Petro atribui o ataque que deixou 20 mortos na Colômbia e por quem se oferecem US$ 1,4 milhão de recompensa
Antes do ataque que deixou pelo menos 20 mortos no sudoeste da Colômbia no sábado passado, o codinome Marlon já estava identificado como o chefe de uma das estruturas guerrilheiras com maior capacidade de causar danos no país.
Agora qualquer informação sobre seu paradeiro vale 5 bilhões de pesos colombianos, cerca de US$ 1,4 milhão.
O presidente Gustavo Petro atribui a este guerrilheiro a autoria do mais letal das dezenas de ataques ocorridos nos departamentos de Cauca e Valle de Cauca nos últimos dias.
Este se produziu em um trecho entre as cidades de Cali e Popayán na Via Panamericana, a rodovia que conecta quase a totalidade do continente.
Um cilindro com artefatos explosivos detonou na autopista e acabou com a vida de 15 mulheres e 5 homens. Também deixou dezenas de feridos.
Os veículos ao redor ficaram destruídos. A explosão abriu uma cratera enorme no pavimento. Imagens de corpos estendidos e cobertos por lençóis circularam nas redes sociais.
"Os que atentaram e mataram (...) são terroristas, fascistas e narcotraficantes. Seu chefe se chama codinome Marlon, plenamente identificado pela inteligência policial e militar", disse Petro no X.
A Colômbia está a menos de um mês de celebrar eleições presidenciais.
Analistas consultados pela BBC Mundo veem nas ações atribuídas a "Marlon" um "claro interesse" de grupos armados para criar caos e desestabilização.
O nome real do guerrilheiro é Iván Jacobo Idrobo Arredondo, chefe da estrutura Jaime Martínez. Esta pertence a outra estrutura maior chamada Estado Mayor Central (EMC), uma das dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
As FARC era a guerrilha mais grande e antiga do país. Em 2016 muitos de seus membros assinaram a paz com o governo e se desmobilizaram.
Outros guerrilheiros, em desacordo, mantiveram as armas e continuaram sua luta, hoje também associada a atividades ilícitas como o narcotráfico, a mineração ilegal, a extorsão e o controle de territórios.
"Em 2013, ainda dentro das FARC originárias, foi capturado em uma emboscada à polícia. También está acusado do homicídio de um jornalista", diz à BBC Mundo Gerson Arias, pesquisador da Fundação Ideas para la Paz (FIP).
O analista conta que "Marlon" foi incorporado para o processo de paz e em 2017 foi liberado, com a condição de participar dele.
"Mas no final de 2017 viajou ao Cauca, integrou-se a outra estrutura e voltou às suas origens. É um signatário de paz que retomou as armas", lembra Arias.
Em 2022, após a morte de seu superior, converteu-se no comandante número um da Jaime Martínez.
Arias lhe atribui ser "o dinamizador de muitos ataques contra a força pública". Tem sob seu comando mais de 500 homens, segundo o pesquisador.
Também se relaciona com "terrorismo, recrutamento de menores, sequestro, narcotráfico, homicídio e extorsão", de acordo com o Ministério de Defesa.
Laura Bonilla, subdiretora da Fundação Pares, diminui a relevância de sua figura.
"Tem certa importância que seja o chefe, mas há que entender que nos grupos os chefes não são tão importantes. Capturas um e te saem outros dois, três, quatro. A recomposição da violência é muito complexa", analisa Bonilla para a BBC Mundo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.