Queda do dólar: O fenômeno que está empurrando a taxa de câmbio para baixo
O dólar volta a perder terreno frente ao guaraní nesta quinta-feira com uma taxa de câmbio que se situa em G. 5.950 à venda e G. 5.850 à compra e por trás da queda sustentada aparece uma pergunta: O que está provocando que haja tantos dólares disponíveis no mercado paraguaio?
Para Emil Mendoza, presidente da Associação de Casas de Câmbio do Paraguai, uma parte da explicação estaria em um fenômeno que as entidades cambiais vêm observando esta semana: um ingresso inusualmente elevado de dólares provenientes do exterior, associados a investidores que buscam alocar capital no Paraguai.
"Há uma afluência um pouco inusual em relação ao ano passado de investidores estrangeiros", explicou Mendoza à Última Hora. Acrescentou que estão recebendo pessoas que chegam do Brasil, Bolívia e Europa, entre outros mercados.
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Para Mendoza, a pressão se agudizou pelo anúncio do Tesouro estadunidense de duplicar a recompra de dívida a longo prazo na semana passada. Esta situação derivou em que os investidores manifestem sua preocupação com as perspectivas da economia estadunidense e buscam destinos alternativos para alocar seus recursos. Entre os países mencionados pelos clientes aparecem Paraguai e Uruguai.
O dado que dimensiona o fenômeno surge da experiência da própria casa de câmbio que administra Mendoza. Segundo explicou, durante esta semana essa entidade recebeu entre USD 250.000 e USD 300.000 diários provenientes do exterior, acumulando aproximadamente USD 1 milhão na semana.
A particularidade não estaria somente na quantidade de dólares que ingressam, mas na dificuldade para alocá-los novamente no mercado. "Muitos dias nesta semana nós não tivemos onde colocar nossos dólares", detalhou. Quando aumenta a quantidade de dólares disponíveis e a demanda não cresce no mesmo ritmo, o preço da divisa tende a cair.
Mendoza estima que, se um comportamento similar se repetisse entre as 24 casas de câmbio autorizadas pelo Banco Central do Paraguai, o fluxo poderia rondar os USD 20 milhões semanais sem levar em conta as entidades cambiais, que estima também estar atravessando pela mesma situação.
A consequência, segundo o representante do setor, já se está observando em uma superoferta de dólares que pressiona para baixa a cotização.
A queda, porém, não pode ser atribuída exclusivamente ao que ocorre dentro do país. O titular da entidade de classe também aponta a um fator internacional: o dólar vem se enfraquecendo frente a distintas moedas, de modo que o Paraguai não estaria atravessando um fenômeno isolado.
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A diferença está em que ao cenário internacional se soma um fluxo particular de divisas para o mercado local.
Ou seja, poderiam estar atuando duas forças simultaneamente: um dólar mais fraco em nível internacional e uma maior oferta de dólares no mercado paraguaio.
A queda do dólar já gerou reclamações de setores exportadores, que consideram que uma moeda local demasiado forte pode afetar suas receitas. Mendoza, porém, adverte que intervir para sustentar artificialmente um preço mais alto do dólar não necessariamente resolveria o problema.
Seu argumento é que o Banco Central pode conter movimentos considerados anormais, mas não deveria tentar permanentemente ir contra uma tendência determinada pelo mercado internacional. "Não se pode ficar remando contra a corrente", sustentou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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