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Política

Que o eleitoralismo não substitua a preocupação com os problemas do país

06/06/2026 10:45 4 min lectura 22 visualizações

A falta de quórum registrada esta semana na sessão da Câmara de Deputados, além de ser um fato repetido, deixou em suspenso quase vinte projetos de lei e propostas sem tratamento.

Alguns dos assuntos que não foram tratados são: a criação do Sistema Nacional de Cuidados, modificações à pensão universal para adultos maiores, reformas judiciais, regularização de terras, além de um polêmico projeto que estabelece a desobrigação automática de pensão alimentar quando os filhos completam 18 anos.

Lamentavelmente, uma vez mais o eleitoralismo voltou a ocupar o interesse principal de nossas autoridades. Desta vez se trata das internas simultâneas, prévia às eleições municipais de outubro próximo.

Nas internas simultâneas, as organizações políticas – partidos, movimentos, concertações e alianças – vão definir seus candidatos para as municipais. Para isso, estão habilitados a participar um total de 4.661.047 cidadãos, que poderão fazer isso neste domingo em alguma das 12.983 mesas colocadas pela Justiça Eleitoral.

A Associação Nacional Republicana (ANR) tem o maior eleitorado, com 2.804.550 eleitores distribuídos em 8.018 mesas de 481 locais de votação, e o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) a segue com 1.531.856 filiados. Também terão eleições o Partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), com 102.958 pessoas habilitadas; Eu Acredito, com 35.987; Partido País Solidário, com 21.159 e Partido Encontro Nacional, 21.461.

As organizações políticas vão eleger os candidatos a intendentes e vereadores para as juntas municipais; além disso, o PLRA, Partido Encontro Nacional, Partido Pátria Querida, Cruzada Nacional, Partido Hagamos e outras seis organizações elegerão suas autoridades partidárias.

A falta de quórum registrada na sessão da Câmara de Deputados teve desta vez uma característica insólita e indignante. Naquela sessão deveria ter sido tratado um polêmico projeto de lei – impulsionado pelo deputado colorado Hugo Meza – que busca enrijecer as sanções contra o roubo de gado.

O tema não pôde ser debatido, pois os deputados não alcançaram tratar os pontos incluídos na ordem do dia, já que se retiraram antes do meio-dia, devido às eleições internas.

O chamativo é que nem mesmo o autor do projeto, Hugo Meza, esteve presente na sessão. O projeto do deputado Meza pretende que o roubo de gado deixe de ser considerado um simples delito e passe a ser tipificado como crime, aumentando a severidade da pena, e se fosse aprovado, a expectativa de pena se elevaria de entre 10 e 15 anos de prisão. Seu polêmico projeto encontrou várias objeções; um colega opinou que ataca "o sintoma e não a causa", e outro questionou que o aumento das sanções para o roubo de gado possa se equiparar às condenações previstas para delitos graves contra as pessoas.

Com respeito às próximas internas, deve-se assinalar outro detalhe que exibe a incoerência da classe política. A poucos dias das eleições, puderam-se observar colunas da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) convertidas em suportes de propaganda eleitoral em Assunção, apesar de que este tipo de cartaz está proibido pelas ordenanças municipais.

Entretanto, com toda impunidade, quem aspira a intendentes e vereadores estão cobrindo grande parte das colunas da ANDE, apesar da proibição expressa pelas ordenanças nº 157/18 e nº 349/21. A normativa admite somente a colocação de banderolas, em certas circunstâncias sinalizadas. O descumprimento destas normas é considerado uma falta grave, e a infração pode acarretar multas de até 300 jornadas mínimas.

A regulamentação referente aos cartazes tem o objetivo precisamente de evitar a poluição visual, a deterioração do mobiliário urbano e os danos à infraestrutura pública durante os períodos eleitorais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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