"Que ninguém se mexa!": os tensos 10 minutos de silêncio em que tudo para para tentar ouvir vozes sob os escombros
Sobre uma grande e instável montanha de concreto, ferro e poeira, uma dezena de pessoas remove blocos, pedras, vigas, na esperança de encontrar sobreviventes ou cadáveres.
De repente, tudo para. Há gritos, corridas, abraços. Um rescatista acredita ouvir uma voz sob os escombros. Pensa, esperançoso, que é um sobreviviente pedindo ajuda.
"Meu Deus, obrigado", solta uma mulher de uns 60 anos. "De verdade?", pergunta outra, incrédula, cobrindo a boca.
A notícia se propaga rapidamente pelos arredores das Residências Mariola e Maribel, em frente a El Yate, uma praia em La Guaira que costumava estar cheia de pessoas desfrutando um dia ensolarado até que o terremoto de quarta-feira na Venezuela demoliu quase tudo.
Apenas uma das duas torres do complexo permanece em pé: de 6 andares apenas quatro e meio permanecem, inclinados, com a sensação de que podem desabar a qualquer momento.
A outra torre parece ter sido engolida pela terra.
Em questão de segundos, a esperança se propaga.
Vários rescatistas correm em direção à avenida e fazem sinais desesperados para que desliguem os motores, parem as gruas e silenciem as brocas. O ruído, um inimigo a mais neste momento em La Guaira, vai desaparecendo pouco a pouco.
Os rescatistas sobem pelos escombros, ajoelham-se, inclinam a cabeça. Tentam ouvir.
"Por favor, deixem-nos ouvir. Não façam barulho! Parece que há alguém aqui", pede um do topo.
"Shhhh… silêncio, por favor", repete-se em cadeia.
O silêncio contém a esperança de encontrar um sobreviviente. Apenas no sábado resgataram 33 pessoas ainda com vida após um terremoto que oficialmente deixou pelo menos 1.450 mortos, cifra que sobe conforme as horas passam.
As dezenas de pessoas presentes na cena calam-se. De fundo se escuta o ruído de outras zonas de resgate. Dá vontade até de prender a respiração.
"Diga algo para ouvirmos, por favor. Somos uma equipe de rescatistas!", gritam para um destinatário desconhecido, oculto sob quilos ou toneladas de concreto.
Essas palavras rompem um silêncio que se tornou quase sagrado, sepulcral nas Residências Mariola e Maribel.
Apenas alguns sussurros e o rangido de pedras sob os pés de quem tenta aproximar-se sem fazer barulho o interrompem.
"Que ninguém se mexa!", grita uma voz com um tom de exasperação. "Deixem ouvir, por favor!"
Durante dez minutos, o tempo parece suspender-se. Ninguém fala. Ninguém respira.
Os vizinhos alertaram equipes profissionais que se encontravam próximas. Chegam em questão de minutos. Mas quase com a mesma rapidez se vão.
Não há resposta ao chamado. Nenhum som emana dos escombros.
Os profissionais declaram falso alarme. E as expressões mudam drasticamente.
No entanto, Ronnie Navarro não está disposto a desistir. Chegou no sábado desde Puerto La Cruz, uma cidade a uns 350 quilômetros de La Guaira, para ajudar a tirar seu tio dos escombros.
Visivelmente exausto, Ronnie olha para seus companheiros, que continuam removendo escombros.
"O [rescatista] que ouviu diz que alguém estava vivo. Estão partindo a parede para ver se o conseguem tirar", diz a BBC Mundo Ronnie, alheio à declaração oficial de falso alarme.
"Há corpos aí, pressionados. Os familiares dos que moravam aí estamos colaborando porque o governo não quer ajudar", reclama.
"As autoridades não dizem nada. Passam, dão uma olhadinha e se vão. Como s..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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