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Internacional

Protestos de professores no México preocupam uma semana antes do Mundial

Manifestantes derrubam postes e estátuas; governo dialoga mas não atende demandas

05/06/2026 08:15 4 min lectura 17 visualizações
Protestas de maestros en México preocupan a una semana del Mundial

Manifestantes arrancaram postes de iluminação e investiram contra um edifício público em uma cena digna de um torneio medieval. Ocorreu no México, sacudido por protestos uma semana antes do Mundial. Um grupo dissidente do sindicato de educação, a CNTE, realizou mobilizações massivas antes do torneio, que começa no dia 11 de junho no estádio Asteca. Reivindicam aumento salarial e a revogação de uma lei de pensões.

As ações escalaram desde segunda-feira, quando os manifestantes convocaram uma paralisação. Em seguida, derrubaram com cordas estátuas de jogadores de futebol erguidas na concorrida Passagem da Reforma, uma das principais avenidas da capital. Uma bola gigante que as adornava ficou no meio da avenida.

O diálogo entre o governo e os professores não rendeu resultados. "Não é a resposta que queremos ouvir", disse quinta-feira a representante sindical Yenny Pérez após uma proposta do governo que, em sua avaliação, "não cobre as demandas centrais" do movimento.

"É hoje ou nunca"

A emblemática praça do Zócalo, onde estão localizados o palácio presidencial e o 'fan fest', permanece cercada por barreiras metálicas para impedir a passagem dos manifestantes, que costumam se instalar lá para pressionar por suas demandas.

Muitos estabelecimentos comerciais foram forçados a fechar e o já caótico trânsito da capital apenas piora a cada protesto.

"Por mais que nos organizemos, por mais que marchemos, por mais que gritemos, o governo simplesmente não nos ouve!", afirmou Fabián Villegas em um dos protestos desta semana. "Vamos continuar... é hoje ou nunca".

A polícia recorreu segunda-feira a gases lacrimogênios para contê-los.

Dois manifestantes e pelo menos um transeúnte foram feridos no confronto. Um professor foi evacuado enquanto sangrava do rosto e a CNTE relatou que perdeu um olho.

"Verificaremos se esta atuação se adequou ou não aos protocolos", explicou à AFP o secretário de Segurança da Cidade do México, Pablo Vázquez.

"Em nenhum momento há uma instrução de reprimir, nem de agir contra os manifestantes".

"Paralisado"

A presidenta Claudia Sheinbaum e membros de seu governo chamam diariamente para diálogo e análise dos posicionamentos da CNTE, que, por exemplo, rejeitam um aumento de 9% acordado com o governo pelo sindicato oficial dos educadores.

"Querem que caíamos em uma repressão como preâmbulo do Mundial", disse a mandatária esquerdista em sua coletiva de imprensa. "Não vamos cair na provocação".

Analistas consultados pela AFP concordam que o governo não atendeu a tempo as demandas dos professores, que ameaçaram com mais protestos durante todo o Mundial.

Luis Hernández Navarro, especialista neste grupo de professores, indicou que uma reunião entre a mandatária e os mestres ajudará "a reduzir essa tensão", mas Sheinbaum descartou por enquanto o encontro e encarregou as negociações a seus ministros.

A Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educação surgiu em 1979 e desde então incomodou presidentes do outrora hegemônico PRI e do conservador PAN.

E agora ao partido Morena no governo, "incapaz de responder" diante de uma crise à qual não está acostumado por seus altos índices de popularidade, estimou o analista Sergio Aguayo, professor do Colégio do México.

"Concessões"

Aguayo considera "quase impossível" que Sheinbaum recorra à força para controlar estes protestos, após o precedente do chamado massacre de Tlatelolco.

Foi um comício estudantil que a polícia reprimiu em 1968 e deixou 400 mortos, segundo familiares e ativistas, embora as cifras oficiais registrassem apenas 30 vítimas.

Sheinbaum se diz herdeira daquele movimento e um de seus primeiros atos como presidenta foi oferecer um "pedido de desculpas público" pelo massacre. Por isso, com o Mundial à frente, não lhe resta muita outra opção senão "fazer concessões" à CNTE, concluiu Aguayo.

Fonte: AFP

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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