Proposta de reestruturação do setor energético com dois organismos adstritos especializados
Estrutura proposta para o setor energético
A reorganização do setor energético busca separar três funções críticas: a reitoria da política energética sob o Ministério de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos (MEMH), a propriedade-supervisão a cargo do SEP-EMH e a planificação técnica sob a responsabilidade do IPE.
O MEMH, como instituição nova sem estrutura consolidada nem capacidade instalada suficiente, se concentrará em definir políticas, planificar e coordenar. Por suas características, não poderia exercer supervisão direta sobre empresas de grande envergadura como a ANDE, Petropar ou os entes binacionais.
SEP-EMH: Sistema de Empresas Públicas de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos
Este organismo funcionará como braço técnico do Estado em seu papel de proprietário. Suas funções incluem:
Representação de interesses estatais: Fiscalizar que as empresas públicas cumpram suas metas, avaliar sua gestão e zelar pelo patrimônio público.
Proposta de designações: Opinar previamente sobre a idoneidade e ausência de conflitos de interesses dos candidatos a diretores.
Estabelecimento de metas: Propor indicadores de gestão e subscrever contratos de gestão por resultados aprovados pelo MEMH.
Avaliação independente: Avaliar anualmente o cumprimento de metas e remeter relatórios independentes ao MEMH, Congresso e Controladoria Geral da República.
Verificação de informação: Requerer informação padronizada, verificar sua consistência e realizar auditorias de gestão independentes.
Para garantir sua independência, o SEP-EMH não coadministrará nem receberá financiamento, pessoal ou serviços das empresas sob sua supervisão. Este organismo absorverá as funções e recursos do Conselho Nacional de Empresas Públicas correspondentes a este setor.
IPE: Instituto de Planificação Energética
Responsável da planificação técnica integral do setor, suas atribuições compreendem:
Plano Energético Nacional: Elaborar um plano com horizonte mínimo de dez anos, revisável a cada cinco, que abarcará todos os vetores e fontes: eletricidade, hidrocarbonetos, biomassa, bioenergia, biocombustíveis (HVO, SAF, amônia e hidrogênio de baixas emissões), energias renováveis e tecnologias emergentes.
Estudos especializados: Realizar pesquisas independentes sobre oferta, demanda, custos, riscos, integração regional e cenários de transição energética.
Balanço Energético Nacional: Publicar dados validados de forma independente, desagregados por fonte, vetor e setor de consumo.
Base técnica para políticas: Preparar estudos de base para o desenho de políticas, planos de investimento, licitações, concessões e contratos setoriais.
Avaliação de novos vetores: Avaliar a viabilidade e potencial exportador de vetores energéticos emergentes como amônia e hidrogênio.
Pareceres técnicos: Emitir opiniões técnicas públicas prévias sobre solicitações de importação e exportação de energia elétrica.
Autonomia técnica e controle
Ambas as instituições responderão ao MEMH no aspecto político-estratégico, mas gozarão de autonomia técnica e funcional para evitar a captura institucional e pressões políticas. O esquema estabelece que o Ministério fixa o rumo estratégico, enquanto organismos especializados e blindados verificam o cumprimento correto dos objetivos.
Considerações sobre entes binacionais
Embora Itaipu e Yacyretá se regem por Tratados Internacionais que esta estrutura não pode modificar, o objetivo é garantir que a margem paraguaia conte com ferramentas para tomar decisões estratégicas respaldadas por dados próprios, planificação soberana e prestação de contas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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