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Paraguai

Proposta de reestruturação do setor energético com dois organismos adstritos especializados

21/08/2026 11:45 3 min lectura 30 visualizações

Estrutura proposta para o setor energético

A reorganização do setor energético busca separar três funções críticas: a reitoria da política energética sob o Ministério de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos (MEMH), a propriedade-supervisão a cargo do SEP-EMH e a planificação técnica sob a responsabilidade do IPE.

O MEMH, como instituição nova sem estrutura consolidada nem capacidade instalada suficiente, se concentrará em definir políticas, planificar e coordenar. Por suas características, não poderia exercer supervisão direta sobre empresas de grande envergadura como a ANDE, Petropar ou os entes binacionais.

SEP-EMH: Sistema de Empresas Públicas de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos

Este organismo funcionará como braço técnico do Estado em seu papel de proprietário. Suas funções incluem:

Representação de interesses estatais: Fiscalizar que as empresas públicas cumpram suas metas, avaliar sua gestão e zelar pelo patrimônio público.

Proposta de designações: Opinar previamente sobre a idoneidade e ausência de conflitos de interesses dos candidatos a diretores.

Estabelecimento de metas: Propor indicadores de gestão e subscrever contratos de gestão por resultados aprovados pelo MEMH.

Avaliação independente: Avaliar anualmente o cumprimento de metas e remeter relatórios independentes ao MEMH, Congresso e Controladoria Geral da República.

Verificação de informação: Requerer informação padronizada, verificar sua consistência e realizar auditorias de gestão independentes.

Para garantir sua independência, o SEP-EMH não coadministrará nem receberá financiamento, pessoal ou serviços das empresas sob sua supervisão. Este organismo absorverá as funções e recursos do Conselho Nacional de Empresas Públicas correspondentes a este setor.

IPE: Instituto de Planificação Energética

Responsável da planificação técnica integral do setor, suas atribuições compreendem:

Plano Energético Nacional: Elaborar um plano com horizonte mínimo de dez anos, revisável a cada cinco, que abarcará todos os vetores e fontes: eletricidade, hidrocarbonetos, biomassa, bioenergia, biocombustíveis (HVO, SAF, amônia e hidrogênio de baixas emissões), energias renováveis e tecnologias emergentes.

Estudos especializados: Realizar pesquisas independentes sobre oferta, demanda, custos, riscos, integração regional e cenários de transição energética.

Balanço Energético Nacional: Publicar dados validados de forma independente, desagregados por fonte, vetor e setor de consumo.

Base técnica para políticas: Preparar estudos de base para o desenho de políticas, planos de investimento, licitações, concessões e contratos setoriais.

Avaliação de novos vetores: Avaliar a viabilidade e potencial exportador de vetores energéticos emergentes como amônia e hidrogênio.

Pareceres técnicos: Emitir opiniões técnicas públicas prévias sobre solicitações de importação e exportação de energia elétrica.

Autonomia técnica e controle

Ambas as instituições responderão ao MEMH no aspecto político-estratégico, mas gozarão de autonomia técnica e funcional para evitar a captura institucional e pressões políticas. O esquema estabelece que o Ministério fixa o rumo estratégico, enquanto organismos especializados e blindados verificam o cumprimento correto dos objetivos.

Considerações sobre entes binacionais

Embora Itaipu e Yacyretá se regem por Tratados Internacionais que esta estrutura não pode modificar, o objetivo é garantir que a margem paraguaia conte com ferramentas para tomar decisões estratégicas respaldadas por dados próprios, planificação soberana e prestação de contas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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