Produzir mais, construir marca e ganhar vantagens comerciais: o próximo salto da carne paraguaia, segundo a indústria
A indústria frigorífica paraguaia considera que o país está entrando em uma nova etapa dentro de seu processo exportador. Após vários anos concentrados em obter habilitações sanitárias e ampliar o mapa de destinos, o desafio agora passa por fortalecer a produção, melhorar o posicionamento internacional da carne paraguaia e avançar para melhores condições comerciais nos principais mercados.
Daniel Burt, gerente-geral da Câmara Paraguaia de Carnes (CPC), resumiu essa nova agenda em três grandes eixos: produzir mais carne, fortalecer a imagem país e aprofundar a diplomacia comercial. "Acredito que há três coisas. Primeiro é melhorar a eficiência produtiva para poder produzir mais carne com os animais que temos, conforme também recuperamos o rebanho", apontou em Valor Agregado.
Para a indústria, o crescimento das exportações precisa estar acompanhado por uma maior disponibilidade de matéria-prima. Nesse sentido, Burt apontou diretamente para a necessidade de aumentar a produção de bezerros e melhorar os quilos obtidos por animal. "Produzir mais bezerros e mais quilos carcaça", resumiu.
A visão industrial parte de uma premissa clara: abrir mercados gera oportunidades, mas para aproveitá-las o Paraguai precisa contar com uma oferta suficiente e competitiva que permita sustentar um crescimento exportador ao longo do tempo.
O segundo desafio colocado por Burt está vinculado ao posicionamento internacional do Paraguai.
Apesar do crescimento das exportações e da chegada a novos destinos, desde a CPC consideram que ainda existe um trabalho importante a fazer para que o país e sua carne sejam mais reconhecidos por compradores e consumidores.
"Também melhorar o que é a imagem país e a reputação do Paraguai, que continua sendo um país relativamente desconhecido", explicou.
A estratégia da indústria aponta a complementar a abertura de mercados com uma maior promoção comercial e uma construção mais forte de marca.
Um dos próximos passos será os Estados Unidos, onde o Paraguai realizará pela primeira vez uma Noite da Carne Paraguaia. "Vai ser a primeira. Então é nosso debut em sociedade, por assim dizer, no mercado americano", comentou Burt.
Para o gerente da CPC, esse tipo de ações faz parte de um processo que apenas começa. "Há toda uma construção aí de promoção e de marca país", acrescentou.
O terceiro ponto apontado pela indústria está relacionado com a diplomacia comercial.
Burt sustentou que o Paraguai conseguiu avanços importantes em matéria sanitária, mas ainda enfrenta uma desvantagem diante de competidores que contam com cotas, preferências tarifárias ou acordos comerciais mais favoráveis. "Está a diplomacia comercial, onde o Paraguai historicamente está em uma desvantagem comparado com nossos competidores", afirmou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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