Procuradoria da Colômbia abre investigação contra o ex-presidente Uribe por vínculos com paramilitares e duas masacres dos anos 90
Imputação ocorre três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais colombianas
A Procuradoria colombiana abriu uma investigação formal contra o ex-presidente Álvaro Uribe por fatos vinculados com a criação de um grupo paramilitar, as masacres de El Aro e La Granja e o assassinato de um ativista de direitos humanos.
Estas matanças ocorreram no final dos anos 90 no município de Ituango, no departamento colombiano de Antioquia, do qual Uribe era governador na época.
A imputação do ex-presidente ocorre três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, que disputarão o conservador Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda.
O próprio Uribe, que presidiu a Colômbia em dois mandatos consecutivos de 2002 a 2010, informou em suas redes sociais sobre a investigação: "De meus advogados: Procuradoria Terceira nos acabou de notificar há pouco que o chama a indagatória pelo tema do aro, a granja, José María Valle (sic) e Guacharacas. A enfrentar este suplício a poucas horas de eleições".
Jesús María Valle Jaramillo foi um advogado e defensor de direitos humanos que denunciou a cumplicidade de forças militares e grupos paramilitares nas masacres de El Aro e La Granja. Foi assassinado em 27 de fevereiro de 1998 por paramilitares.
Em um comunicado, a Procuradoria delegada ante a Corte Suprema de Justiça apontou que os delitos nos quais o ex-presidente presumivelmente estaria envolvido "são os de concierto para delinquir agravado e homicídios em pessoa protegida".
Segundo o documento, Uribe teria, presumivelmente, facilitado e promovido "o agir dessa estrutura armada organizada à margem da lei, que teria utilizado como base a fazenda Guacharacas, de propriedade da família Uribe Vélez para a época".
A extensa fazenda Las Guacharacas, localizada no município de San Roque, foi propriedade da família do ex-presidente desde 1978 e, conforme a Procuradoria, teria sido utilizada como base para grupos paramilitares.
O irmão do ex-presidente, Santiago Uribe, foi condenado a 28 anos de prisão no início deste mês por "concierto para delinquir agravado e homicídio agravado", ao se provar que foi chefe do grupo paramilitar conhecido como "Los 12 apóstoles".
Na investigação aberta contra o ex-mandatário, a Procuradoria menciona "a possível participação do ex-governador nas incursões paramilitares nos corregimentos La Granja e El Aro do município de Ituango perpetradas entre 1996 e 1997, nas quais se registraram múltiplos homicídios, deslocamentos forçados, incêndio de habitações e roubo de gado".
Em 11 de junho de 1996, membros da estrutura paramilitar Autodefensas Campesinas de Córdoba e Urabá torturaram e assassinaram cinco pessoas diante de seus vizinhos e familiares no corregimiento de La Granja, aos quais acusaram de ajudar a guerrilha.
Um ano depois, em 22 de outubro de 1996, este mesmo grupo paramilitar chegou ao corregimiento de El Aro, onde assassinou 17 pessoas.
A milícia esteve 7 dias no município torturando suas vítimas, queimaram muitas habitações e forçaram o deslocamento de mais de 700 pessoas.
Os grupos paramilitares que atuaram na zona naqueles anos eram formados em sua maioria por pecuaristas, empresários e policiais, e atuaram em conivência com as forças armadas para frear a expansão de guerrilhas como o Exército de Libertação Nacional (ELN) ou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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