Primeiro-ministro do Canadá diz ter perdido a confiança em Infantino
"Não tenho confiança no senhor Infantino neste momento, dado o ocorrido e a natureza do que aconteceu", declarou Carney em uma coletiva de imprensa, poucas semanas após o Canadá coorganizar, junto com Estados Unidos e México, a Copa do Mundo de 2026.
A polêmica explodiu quando Infantino propôs criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma filial que gerenciaria ativos comerciais da organização, incluindo os vinculados à Copa do Mundo, e vender cerca de 20% da sociedade por até 4.200 milhões de dólares estadunidenses.
A operação avaliava a nova empresa em aproximadamente 20.000 milhões de dólares e tinha como potencial investidor principal o Thrive Eternal, um fundo vinculado à Thrive Capital e seu fundador, Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente estadunidense Donald Trump.
Infantino defendia que a operação permitiria aumentar substancialmente os fundos distribuídos às 211 associações membros da FIFA, mas o projeto provocou uma rebelião pela falta de consultas e pelo risco de submeter parte do futebol internacional aos interesses de fundos privados.
A UEFA acordou boicotar futuras competições da FIFA caso a iniciativa avançasse, enquanto a Concacaf, confederação à qual o Canadá pertence, também rejeitou o projeto e celebrou posteriormente sua retirada.
Carney, que foi durante anos governador do Banco do Canadá e, posteriormente, do Banco da Inglaterra, afirmou que a decisão de Infantino de occultar de seus assessores mais próximos, de seu diretor de operações e dos membros do conselho da FIFA o projeto FFE "deveria ser muito grave".
"Esta não é a forma de dirigir nenhum negócio, nem mesmo uma pequena empresa, e muito menos algo que tem uma responsabilidade mundial como o futebol", explicou.
A crise causou também a demissão de Carlos Cordeiro como assessor principal de Infantino. Cordeiro, que também assessorava o grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, qualificou o projeto de prejudicial ao futebol.
O episódio se soma às críticas pela estreita relação de Infantino com Trump. Em dezembro de 2025, o dirigente da FIFA entregou ao presidente estadunidense o primeiro Prêmio da Paz da FIFA criado pela organização e lhe prometeu o apoio da comunidade futebolística.
Durante a Copa do Mundo, Trump reconheceu além disso que ligou diretamente para Infantino para lhe pedir que revisasse a sanção imposta ao avançado estadunidense Folarin Balogun. A FIFA posteriormente suspendeu a punição, uma intervenção que alimentou as acusações de interferência política e falta de independência.
Infantino acabou retirando o projeto da FFE, mas a controvérsia enfraqueceu sua posição ante as eleições presidenciais da FIFA previstas para março de 2027 em Rabat.
Figuras como o ex-futebolista português Luís Figo reclamaram publicamente sua demissão, enquanto aumentam as especulações sobre uma possível candidatura do canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf.
Carney evitou respaldar expressamente Montagliani, embora o tenha descrito como "um indivíduo excepcional". EFE
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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