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Saúde

Prateleiras vazias nas farmácias do IPS, mas cheias em seus albergues

Descoberta revela rede de abastecimento irregular de medicamentos nos alojamentos do Hospital Central

12/08/2026 19:45 3 min lectura 28 visualizações

Mediante uma descoberta casual, destapou-se recentemente uma rede de abastecimento de medicamentos e insumos dentro dos albergues do Hospital Central do Instituto de Previsão Social (IPS).

A diretora de Apoio e Serviço do IPS, Cynthia Cardozo, explicou a Última Hora que boa parte desse lote de remédios já estava vencida, entre outras irregularidades.

Os familiares nos albergues transitórios contaram, apenados, a um equipo deste jornal que a carência de medicamentos é o principal problema que enfrentam com seus familiares convalescentes.

"Trouxe meu filho desde Caaguazú a cinco horas de viagem e estamos lutando porque sofreu um acidente e está com queimaduras em várias partes do corpo. Tenho que me virar para cozinhar, lavar roupa, cuidar dele e ainda por cima comprar os remédios e insumos que o IPS não tem", afirmou dona Luisa Villalba.

Outro aspecto muito apontado pelos familiares, além da falta de medicamentos, é o fato de que os insumos também estão em falta, alguns muito essenciais, básicos.

"Venho de Caaguazú para lutar pela vida de meu marido que é paciente oncológico. Recentemente saiu da UTI e agora se está recuperando de uma intervenção, mas no início nos pediram coisas muito elementares como luvas inclusive. Menos mal não estou tão sozinha e com meu sogro nos revezamos para cuidar dele", mencionou Blanca Cáceres.

Distribuição. Uma simples receita foi a origem do rompimento que destapou a panela. Um familiar de um paciente internado no mencionado nosocômio compareceu com uma ordem médica para obter um fármaco que naquele momento estava sem existência dentro da farmácia do IPS. Recebeu a indicação de comprá-lo no albergue localizado dentro do terreno da previsional, espaço onde se hospedam os familiares encarregados de pacientes oriundos do interior do país geralmente.

Uma denúncia derivou consequentemente em uma operação do IPS que as câmaras de ÚH conseguiram captar. "Encontramos a mesma receita, que era o início da denúncia, aqui na mesa de uma pessoa que viemos encontrar sentada e que, ao perguntarmos quem era, nos disse que era a encarregada dos medicamentos", relatou Cynthia Cardozo, diretora de Apoio e Serviço.

Cuidadores. Consultada sobre o tema de pessoas alheias às famílias, mas que se encarregam do revezamento caso o paciente necessite algo e permanecem nos albergues funcionando como cuidadores, Cardozo respondeu que é algo que fica a cargo dos familiares e não da previsional. A maioria dos familiares necesita de "uma mão extra" para cumprir com seus deveres. E é aí que entram essas pessoas, mas a título pessoal, já que é algo que em princípio requer da confiança do familiar, explicaram.

"Tenho meu cunhado internado aqui há mais de um mês em estado grave. Somos do interior então o albergue é nossa única opção. Os medicamentos que ele necesita em sua maioria estão em falta, então nos viramos para conseguir em farmácias privadas, é um duro golpe na carteira. E aqui se paga por tudo além do mais", indicou dona Nilda Brizuela.

Em suma, desde elementos essenciais como luvas até um teto para descansar para voltar a cuidar do familiar em convalescença, representam um desafio feroz para as pessoas, carências que revelam as múltiplas deficiências do IPS.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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