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Cultura

Pódcast ÚH: A vigência do guarani, uma língua que transcende estigmas históricos

25/08/2026 17:00 3 min lectura 20 visualizações

Uma língua oficial com desafios pendentes

No episódio 113 de Timore, a professora Ladislaa Alcaraz, que esteve 10 anos à frente da Secretaria de Políticas Linguísticas, compartilha considerações sobre o guarani e sua situação no Paraguai.

A cada 25 de agosto se comemora o Dia do Idioma Guarani, data estabelecida para celebrar a segunda língua oficial do país. Porém, acadêmicos mantêm questionamentos com respeito ao sentido dessa celebração. "Então, há que fazer uma revisão completa dessa data e seu significado sobretudo. O que queremos?", questionou a docente.

Ao se tratar de uma língua constitucionalmente oficializada, a Carta Magna estabelece parâmetros específicos sobre seu emprego no Estado, uma matéria que ainda segue pendente segundo a professora Alcaraz.

A oficialidade requer escrita e uso formal

A Constituição Nacional exige que se brinde uma "atenção especial" ao guarani. "Essa atenção tem que se traduzir em uso. O uso oficial supõe seu uso escrito generalizado. A oficialidade implica escrita, uso formal nas instituições", destacou.

Um aspecto fundamental abordado pela professora é a atitude ambivalente que caracterizou a relação com o idioma desde tempos anteriores à colonização.

História de resistência e preservação

"Antes da chegada dos espanhóis era uma língua valorizada e de intercâmbio entre os povos, gozava de prestígio até a chegada dos espanhóis, que trouxeram uma língua europeia", comentou a docente.

Durante a mestiçagem, o guarani se preservou graças às mulheres indígenas, que transmitiam a língua a seus filhos sob seu cuidado. "Ao terem seus filhos sob seu cuidado até os sete anos de idade, lhes transmitiam naturalmente sua língua, aqui se aplica o guarani como língua materna vindo da mãe", relatou.

Um papel relevante na história do guarani foi desempenhado pelos missionários que chegaram para evangelizar. Esses tiveram que realizar adaptações para traduzir seus ensinamentos ao guarani e chegar às populações indígenas.

"Segundo refere a história, aqui chegaram os melhores filólogos, gramáticos, estudiosos da língua da época e assim puderam registrar por escrito a língua guarani, especialmente os franciscanos, os jesuítas, mercedários. Vamos encontrar evidências em seus escritos sobre gramática, vocabulário e materiais didáticos para o ensino de matemática e música em guarani, especialmente nas Reduções Jesuíticas", assinalou.

Os missionários evangelizadores tiveram que aprender a língua e escrever o catecismo em guarani. "Gozou de grande prestígio e presença a língua guarani e ali começa sua escrita que também assegurou que transcendesse no tempo e espaço. Da oralidade pode perder-se e apagar-se uma língua, mas essa escrita ajuda a fixá-la. O trabalho dos missionários contribuiu para preservar a língua", destacou.

Desmitificando estigmas sobre o guarani

A professora abordou também uma série de mitos e estigmas que cercam o idioma guarani, particularmente sua vinculação exclusiva com populações rurais.

"Não podemos negar que há contextos rurais predominantemente guaraniofalantes, onde se encontram paraguaios, mas há contextos rurais de comunidades de imigrantes onde não vamos encontrar tanto guarani", considerou Alcaraz, assinalando que a realidade é mais complexa que as percepções generalizadas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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