Pesquisador analisa impasse com Brasil e adverte contra cair no jogo
Aníbal Orué Pozzo critica declarações imprecisas de Lula, mas alerta contra uso político por setores conservadores paraguaios
O docente e pesquisador Aníbal Orué Pozzo sustenta que as declarações do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foram imprecisas e inoportunas; entretanto, advertiu contra não "cair no jogo" dos setores conservadores do Paraguai de atacar uma figura que deixou um legado inestimável ao país.
Orué fez ênfase em que o setor enraizado no poder que manifesta uma suposta indignação pelos ditos do mandatário brasileiro domina o país desde a culminação da Guerra contra a Tríplice Aliança, após a qual se formou uma elite "que se constrói a partir da pilhagem e da venda de terras públicas, desde governos controlados pela Associação Nacional Republicana (ANR)".
O docente destacou ainda que todos os governos do Partido Colorado tiveram posturas entreguistas do patrimônio nacional e não lograram benefícios em torno da energia de Itaipu; apenas durante o mandato de Fernando Lugo foi possível obter um acordo histórico que permitiu que o Paraguai pudesse vender sua parte ao triplo do que até aquele momento, em 2009, estava comercializando, e foi graças a Lula.
As declarações do presidente do Brasil causaram grande repercussão no Paraguai devido a imprecisões sobre a origem da guerra. Lula pretendia justificar desta forma a modernização de seu exército.
"Nos gusta la paz, pero no podemos olvidar que un bello día, Paraguay decidió invadir Brasil: invadió Corumbá, al mismo tiempo invadió Uruguay, al mismo tiempo invadió Argentina, y aquella guerra que parecía era nada, duró cinco años", disse Lula em um ato público.
Orué esclarece que o Paraguai nunca invadiu o Uruguai e os movimentos de Francisco Solano López foram estratégias para evitar possíveis ataques do Brasil. A entrada do exército paraguaio em território brasileiro foi com prévio aviso e, consequentemente, da invasão do Brasil ao Uruguai.
Orué aponta que o poder aproveita essas imprecisões de Lula a seu favor.
"Esta elite fraudulenta, como diria o recordado Tomás Palau, de alguma forma sentiu que havia chegado o momento para 'acertar contas' com o presidente Lula, a quem nunca perdoaram que, juntamente com o presidente Fernando Lugo, chegaram a um dos acordos políticos nunca antes conseguido por nosso país ante o Brasil: o acordo Lugo-Lula assinado em 25 de julho de 2009, que em seus 31 pontos contém uma das grandes vitórias qual é a de elevar três vezes mais o preço que o Brasil paga ao Paraguai pela cessão de energia não utilizada pelo país", recordou.
O pesquisador indicou que isto poderia ter sido feito muito antes, mas os governos colorados "se caracterizaram por sua submissão total aos distintos governos da ditadura militar brasileira; igualmente àqueles administradores pós-ditadura militar".
"A direita paraguaia e os setores conservadores nunca se preocuparam em realizar ações que beneficiem a autonomia energética do Paraguai. Sempre foram entreguistas aos distintos governos desse país, buscando enriquecer-se ignorando as reais aspirações de desenvolvimento do país. Estiveram e continuam de costas às aspirações do povo paraguaio", expressou.
Outra ajuda de Lula. Orué recordou além disso que o Paraguai não podia retirar sua parte da produção energética de Itaipu, porque não contava com linhas de transmissão com a capacidade necessária nem com uma subestação que gerasse energia em 50 ciclos e toda a produção passava diretamente a uma subestação em território do Brasil, e de lá uma linha de transmissão de 750 kV transportava diretamente ao centro industrial de São Paulo. "Tudo isto poderia ter sido resolvido muito antes. Mas os administradores paraguaios de Itaipu, e os distintos governos até 2008, nunca se preocuparam em solucionar estes problemas de maneira que o país tenha uma soberania elétrica", disse.
Então, Lula resolve este problema com a construção de uma linha de transmissão...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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