Paz Encina será homenageada na 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte
Reconhecimento em festival brasileiro
A cineasta paraguaia Paz Encina será a principal homenageada da 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH), que se desenvolverá de 22 a 27 de setembro em Belo Horizonte, Brasil.
A edição aniversário apresenta como eixo temático Cinema latino-americano: o que será?, uma proposta que convida a refletir sobre os caminhos e desafios que atravessa o cinema da região.
Atividades e reconhecimento
Como parte da homenagem, Encina receberá um troféu pelo conjunto de sua trajetória. Além disso, oferecerá uma masterclass e participará de sessões comentadas e outras atividades abertas ao público. A retrospectiva dedicada à sua obra reunirá seus filmes Hamaca Paraguaya (2006), Ejercicios de memoria (2016) e Carta a un viejo Master (2024), dentro da seção Diálogos Históricos.
A presença de Encina nesta edição aniversário coloca novamente em circulação uma filmografia construída em torno da memória, da ausência, da história e das marcas que deixam os acontecimentos coletivos nas vidas individuais.
Orgulho do setor cinematográfico
Juan Carlos Maneglia expressou o orgulho e a alegria que sente o setor cinematográfico pelo reconhecimento concedido a Paz Encina no Brasil. Destacou a transcendência de seu trabalho artístico e o impacto de sua visão na indústria.
Para nós, é um orgulho impressionante que um festival de um país como o Brasil, que tem um mercado gigante de cinema e de ficção, façam uma homenagem ao olhar de Paz, à sua forma de filmar
Maneglia sublinhou os méritos de Paz Encina para receber esta distinção, destacando a coragem por trás de suas decisões estéticas:
Estamos muito contentes porque de verdade ela merece, porque marcou como um marco não apenas sua decisão no que contar, mas como contar. E isso a torna muito corajosa
Trajetória marcada pela memória
A obra de Paz Encina encontrou na memória um de seus principais territórios cinematográficos. Com Hamaca Paraguaya, falada em guarani, a realizadora alcançou projeção internacional ao competir em Un Certain Regard do Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio FIPRESCI da crítica.
A vinte anos de seu lançamento, aquele filme sobre um casal que aguarda notícias de seu filho, combatente durante a Guerra do Chaco, continua ocupando um lugar central em sua trajetória. O silêncio, a espera e a ausência se convertem em recursos cinematográficos para abordar as marcas que deixa a guerra na memória coletiva.
Essa preocupação atravessa também Ejercicios de memoria (2016), centrada no desaparecimento de Agustín Goiburú durante a ditadura de Alfredo Stroessner, e Carta a un viejo Master (2024), homenagem ao documentarista brasileiro Eduardo Coutinho. As três obras permitem percorrer distintas etapas de uma filmografia marcada pela história, pelos vínculos familiares e pelas formas de recordar.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.