José Asunción Flores e a raiz indígena da música paraguaia
Musicólogo Nicolás Ramírez Salaberry dedica pesquisa à conexão entre música indígena e polca paraguaia
Uma busca musical pelas raízes
O musicólogo e diretor de orquestra Nicolás Ramírez Salaberry dedicou anos ao estudo de José Asunción Flores, um dos grandes compositores da música nacional. Em sua pesquisa, destaca que o maestro chacariteño buscava ensinar a profunda conexão entre a música indígena e a polca paraguaia.
"A música indígena chega a Flores com muita força, para ele é vital para entender, para fazer música paraguaia", aponta Ramírez Salaberry. Acrescenta que "a música indígena não é um elemento apenas, mas faz parte da própria música paraguaia".
O pesquisador sublinha a importância de transcrições de partituras e registros de áudio e vídeo das obras emblemáticas de Flores, assim como destaca que o panorama sinfônico nacional apresenta perspectivas positivas com nova criação em desenvolvimento.
Análise de obras fundamentais
Durante a Semana da Guarânia 2026, celebrada na Casa Bicentenário da Música Agustín Pío Barrios, Ramírez Salaberry apresentou a conferência "Temática indígena em José Asunción Flores; de 'Ahendu nde sapukái' a 'Ñanderuvusu'".
Em sua análise de "Ahendu nde sapukái", Ramírez Salaberry explica: "Às vezes as obras musicais são como cartas para o futuro. Acredito que Flores quis demonstrar isso nesta composição, onde nos diz vejam tudo isso, este ritmo que lembra o tribal, o indígena, que devém em uma polca paraguaia".
Diego Sánchez Haase, titular da Casa Bicentenário da Música, qualificou a conferência como "magnífica", destacando que Ramírez Salaberry "analisou em profundidade essas obras fundamentais desde o musical, o linguístico e outros aspectos sonoros que se relacionam com a música indígena, que foram desdobrados de uma maneira maravilhosa".
A formação acadêmica e a pesquisa
Ramírez Salaberry escolheu José Asunción Flores como matéria de estudo para sua tese de graduação como diretor orquestral na Universidade de São Paulo. O maestro Luis Szarán lhe facilitou as partituras de "Ñanderuvusu", poema sinfônico concebido para ballet que homenageia a cosmovisão guarani do gênesis universal.
"É um material potente, uma obra imponente, sente-se que tem algo de apoteótico, majestoso e quis entender por quê", expressa sobre sua motivação para aprofundar na pesquisa.
Em seu trabalho de graduação, contextualizou o surgimento do compositor em um momento de reconstrução nacional e abordou elementos linguísticos como a invocação em guarani, assim como figuras impressionistas que evocam Claude Debussy na harpa.
Influências e comparativas musicais
Durante estudos de mestrado em Musicologia na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ramírez Salaberry estudou a obra "Mandú-Çarará" do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, o que lhe permitiu estabelecer comparativas sobre como se sintetizam elementos indígenas, africanos e europeus na música da América do Sul.
"Esta tem fortes elementos indígenas, da cultura africana, uma busca, uma síntese dessa identidade brasileira que tem influência europeia, indígena e negra", comenta para explicar os fundamentos que utilizaria posteriormente em sua pesquisa sobre Flores.
Acompanhado pelo musicólogo paraguaio Miguel Díaz-Antar, residente no Brasil, continua estudando a evolução da música nacional, incluindo a eletrificação de instrumentos, retomando a análise da obra de Flores com maior profundidade.
Exposição de instrumentos históricos
No marco da Semana da Guarânia, a historiadora Fátima Abramo ofereceu informações sobre os instrumentos com os quais Flores se iniciou na música: o bombardino e o trombone. Esta apresentação se realizou em relação com a exposição permanente desses instrumentos de vento da Banda da Polícia Nacional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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