Paraguai reclama uma distribuição equitativa da cota de carne e adverte que "não pede privilégios"
A distribuição das cotas de exportação de carne para a União Europeia voltou a se colocar como um dos principais temas de preocupação para o Paraguai durante a LXVIII Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosur.
Nesse contexto, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano sustentou que a implementação do acordo comercial entre ambos os blocos deverá garantir um reparto "justo, equilibrado e solidário" dos benefícios entre todos os Estados-partes.
Durante a abertura do encontro, realizado no Centro de Convenções da Conmebol, o ministro de Relações Exteriores classificou o acordo Mercosur-União Europeia como um marco histórico após mais de 25 anos de negociações, embora tenha ressaltado que a etapa de implementação será determinante para assegurar que todos os parceiros do bloco acessem as oportunidades comerciais em condições de equidade.
Nesse sentido, o Paraguai expressou formalmente sua preocupação pelos critérios que atualmente se utilizam para a atribuição das cotas de exportação para o mercado europeu, ao considerar que os volumes previstos para o país não refletem sua capacidade produtiva nem os compromissos assumidos durante as negociações.
"Paraguai não pede privilégios; reivindica equidade", afirmou Ramírez Lezcano, ao insistir em que a credibilidade do Mercosur dependerá de que os benefícios derivados do acordo alcancem de maneira efetiva todos os países membros.
Para o setor carneeiro paraguaio, a definição do reparto das cotas representa um dos pontos mais sensíveis da regulamentação do acordo, já que o acesso preferencial ao mercado europeu constitui uma ferramenta estratégica para sustentar o processo de diferenciação e captura de maior valor nas exportações de carne bovina.
Entre os outros países, há uma posição de manter uma distribuição com base na performance exportadora, o que beneficiaria o Brasil e a Argentina.
Além da demanda sobre as cotas de carne, o chanceler realizou um balanço da Presidência Pro Tempore paraguaia do Mercosur, apontando que a gestão esteve focada em gerar resultados concretos para os cidadãos e os setores produtivos, em um cenário internacional marcado pela incerteza geopolítica e pelos desafios ao comércio global.
Entre os avanços destacados mencionou a facilitação do comércio, a modernização logística, o fortalecimento dos pontos de fronteira, o impulso à agenda digital e a assinatura do acordo sobre reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica, destinado a agilizar as transações digitais e reduzir custos administrativos.
Em matéria de inserção internacional, o Paraguai também ressaltou o progresso das negociações comerciais do Mercosur com os Emirados Árabes Unidos, Canadá e Índia, bem como o início de conversas para um acordo de livre comércio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.