Paraguai projeta polo de fertilizantes em Carmelo Peralta aproveitando gás argentino
Projeto de integração energética regional
Uma delegação paraguaia apresentou em Montevidéu um projeto para instalar uma planta de fertilizantes em Carmelo Peralta, Alto Paraguai, durante um taller de integração gasífera convocado pela Organização Latino-americana e Caribenha de Energia (OLACDE). A comitiva foi encabençada pelo engenheiro Julio Albertini, diretor de Hidrocarbonetos do Viceministério de Minas e Energia (VMME), dependente do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC).
A proposta busca aproveitar o gás natural procedente da Argentina e a infraestrutura da Rota Bioceânica, transformando o Paraguai em um novo polo industrial e estratégico para a produção de insumos agrícolas. Em uma primeira fase, a planta utilizaria gás da bacia de Neuquén, Argentina, e posteriormente poderia utilizar gás produzido no Chaco paraguaio.
Desenvolvimento de indústrias conexas
A combinação de gás argentino em uma etapa inicial com produção chaqueña posterior permitiria desenvolver um polo de fertilizantes e indústrias vinculadas. Esta estratégia poderia fortalecer a soberania energética, aumentar as exportações e posicionar o Paraguai como um ator estratégico na integração energética, industrial e agrícola do Mercosul.
A iniciativa se alinha com os objetivos dos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Chile de alcançar o autoabastecimento a médio prazo. A disponibilidade de recursos gasíferos regionais permitiria contrarrestar a dependência externa de insumos agrícolas indispensáveis para a segurança alimentar, utilizando ferramentas de transporte estratégico como a hidrovia e a rede viária internacional.
Vantagens logísticas estratégicas
A localização de Carmelo Peralta oferece importantes vantagens logísticas, ao conectar a Hidrovia Paraguai-Paraná com a Rota Bioceânica. Esta combinação permitiria reduzir custos e tempos de transporte para mobilizar gás, matérias-primas e fertilizantes em direção ao Paraguai, Brasil e outros mercados da região.
O projeto abre a possibilidade de gerar investimentos, empregos e novas indústrias vinculadas ao gás natural. A disponibilidade deste recurso poderia atrair empresas que requerem energia e matérias-primas a preços competitivos, impulsionando a industrialização do Chaco.
Oportunidade de mercado regional
O potencial econômico é significativo considerando que o Cone Sul importa atualmente 92% dos fertilizantes nitrogenados que consome, por aproximadamente 6.500 milhões de dólares anuais. O Paraguai poderia aproveitar esta demanda regional, especialmente de grandes produtores agrícolas brasileiros como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Desta maneira, a infraestrutura gasífera poderia converter-se em uma ferramenta para captar parte desse mercado e gerar ingressos através da produção e exportação de fertilizantes em direção a mercados estratégicos da região.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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