Paraguai atrai argentinos que buscam mudar sua residência fiscal
O ministro da Indústria e Comércio (MIC), Marco Riquelme, afirmou que o crescente interesse de cidadãos argentinos por se estabelecer no Paraguai responde principalmente a razões fiscais e de diversificação de investimentos, em um contexto de alta pressão tributária na Argentina. Durante uma entrevista no programa argentino La Fábrica del Podcast, o titular do MIC revelou que em 2025 o Paraguai recebeu cerca de 47.000 solicitações de residência permanente, das quais 20% correspondem a cidadãos argentinos.
Segundo explicou, o objetivo principal destes solicitantes não é instalar indústrias, mas estabelecer residência fiscal fora da Argentina para otimizar a carga tributária e administrar melhor suas economias.
Novo esquema
Neste contexto, o governo lançou recentemente o "Paraguay Investor Pass", uma ferramenta que busca facilitar a chegada de investidores estrangeiros. Riquelme detalhou que o esquema substitui requisitos anteriores, como o investimento mínimo de USD 70.000 e a contratação obrigatória de cinco funcionários, por um modelo mais flexível.
Agora, os interessados podem acessar a residência permanente mediante um investimento de USD 200.000 em instrumentos da Bolsa de Valores de Asunción (BVA) ou em ativos imobiliários, como apartamentos ou terrenos. Com isso, busca-se tanto dinamizar o mercado de capitais como canalizar investimentos para o setor imobiliário.
O ministro indicou que esta mudança responde à demanda de investidores que buscam alternativas mais simples, como adquirir propriedades para aluguel ou colocar capital no sistema financeiro, sem necessidade de assumir estruturas empresariais complexas.
Energia
Riquelme também destacou que o Paraguai oferece condições competitivas que reforçam seu atrativo. Entre elas, mencionou o baixo custo da energia elétrica, que, segundo indicou, situa-se em torno de 30% do preço médio de países vizinhos. Esta diferença explica-se pela matriz energética baseada em represas hidrelétricas, cuja produção é majoritariamente limpa e já amortizada.
No entanto, advertiu que o país enfrenta o desafio de aproveitar melhor este recurso. Atualmente, cerca de 60% da energia gerada é cedida ao Brasil a preços reduzidos, enquanto 70% do consumo interno concentra-se nos lares. Neste sentido, propôs a necessidade de impulsionar seu uso no desenvolvimento industrial.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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