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Economia

Paraguai aprofunda a retenção de matrizes: mais de 75% da queda de abate se explica por vacas e novilhas

Dados do Senacsa revelam redução importante na faena durante os primeiros oito meses de 2026, com sinal particularmente marcado nas categorias femininas

16/09/2026 03:15 3 min lectura 260 visualizações

O Paraguai atravessa uma fase clara de retenção ganadera, com uma redução importante da faena durante os primeiros oito meses de 2026 e uma sinal particularmente marcada nas categorias femininas.

Os dados levantados pelo Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) mostram que entre janeiro e agosto se processaram 1.240.389 bovinos, frente a 1.561.496 cabeças no mesmo período de 2025, uma diminuição de 321.107 animais, equivalente a 21%.

Contudo, por trás dessa queda global aparece um dado ainda mais significativo: cerca de 77% da redução da faena corresponde a vacas e novilhas, um sinal consistente com o processo de retenção de matrizes que atravessa a pecuária paraguaia e com as expectativas produtivas que estão depositadas sobre a próxima temporada de serviços de primavera.

Entre janeiro e agosto se abateram 230.748 vacas, aproximadamente 125.507 cabeças menos que no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 35,2%. Em novilhas, a redução foi ainda levemente superior: se processaram 215.736 animais, 120.635 menos que em 2025, com uma contração de 35,9%.

Em conjunto, vacas e novilhas explicam uma diminuição de 246.142 cabeças, praticamente três de cada quatro animais que deixaram de ingressar nas plantas frigoríficas. É um dos indicadores mais contundentes de que uma parte importante dos produtores está priorizando a conservação de fêmeas dentro dos estabelecimentos.

A situação é diferente entre os machos. A faena de touros atingiu 657.562 cabeças, apenas 4,1% abaixo do ano passado, enquanto que em novilhos a redução foi maior, de 25,6%, até 136.343 animais. De qualquer modo, o aumento dos pesos de abate permitiu compensar parcialmente a menor disponibilidade de animais.

De fato, o peso médio de carcaça aumentou em todas as categorias. As vacas passaram de 232 a 244 quilos, as novilhas de 210 a 221 quilos, os touros de 270 a 282 quilos e os novilhos de 250 a 261 quilos. Em média, os pesos cresceram aproximadamente 5%, mostrando que a indústria recebeu menos animais, mas mais pesados.

Este comportamento resulta especialmente evidente nos touros. Embora se abatessem cerca de 28.000 cabeças menos, o incremento do peso médio permitiu que o volume total de carne produzido por esta categoria permanecesse praticamente estável frente a 2025. Ou seja, a queda da faena de machos não teve o mesmo impacto sobre os quilos processados que a forte redução observada nas fêmeas.

Ao ponderar quantidade de cabeças e pesos médios, o volume total processado entre janeiro e agosto se reduziu aproximadamente 15% a 16% interanual, bastante menos que a queda de 21% registrada em número de animais. Novamente, a maior produtividade individual amortizou parcialmente a menor oferta ganadera.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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