Paraguai analisa incorporar energia nuclear para diversificar sua matriz energética
Estado estuda reatores modulares pequenos com fins exclusivamente civis
O Estado paraguaio analisa incorporar reatores modulares pequenos para diversificar sua matriz energética diante do crescimento previsto da demanda elétrica. A Autoridade Reguladora Radiológica e Nuclear (ARRN) enfatiza que o projeto terá fins exclusivamente civis e insiste na importância de recorrer a fontes especializadas antes de tomar decisões sobre este assunto.
O titular da ARRN, Dr. Jorge Molina, e o vice-presidente Dr. Eduardo Galiano confirmaram que a energia nuclear que o Paraguai está buscando incorporar estará destinada exclusivamente a fins civis, ou seja, gerar energia elétrica.
As autoridades apontam que o Plano Nacional de Energia encomendado pelo Executivo não contempla nenhum uso militar e recordam que o Paraguai é signatário do Tratado de Tlatelolco, que compromete os países da América Latina e do Caribe a manter a região como zona livre de armas nucleares desde 1968.
O Dr. Molina explicou que o plano sobre possível uso de reatores modulares pequenos foi revisado pelo departamento de Estado dos Estados Unidos e pela Universidade de Texas, que avalaram o trabalho. Este processo resultou na assinatura de um memorando de entendimento por parte do chanceler.
Para concretizar a compra e operação de reatores nucleares de origem norte-americana, o Paraguai deverá cumprir primeiro as condições do denominado Acordo 123, um acordo bilateral que regula a transferência de tecnologia sensível.
Disponibilidade contínua como vantagem principal
O Dr. Eduardo Galiano destacou a capacidade dos reatores nucleares de gerar eletricidade de maneira contínua, independentemente das condições climáticas. Apontou o conceito de "despachabilidade" como uma das principais vantagens da energia nuclear frente a outras fontes, aspecto que ganha relevância diante do crescimento da demanda elétrica do país.
"Sempre está disponível de dia, de noite, se há granizo, se faz frio, se faz calor, se há seca, se está nublado, ou sai o sol, se não sopra o vento, está aí", expressou Galiano. Acrescentou que não existe outra fonte energética que possa competir em disponibilidade contínua, já que produz energia elétrica de forma permanente.
O Dr. Molina ressaltou que outra vantagem dessa tecnologia é sua vida útil prolongada. Os reatores podem durar 60 anos e, com um adequado recondicionamento, podem estender sua operação até os 100 ou 110 anos. "Está mais ou menos na ordem do gás quanto ao custo, um pouco mais caro, mas dura muito mais, e você tem mais de 90% de despachabilidade, que significa que está operando constantemente, independentemente das condições climáticas. Então, altamente confiável", apontou.
Importância do debate informado
Ambos os especialistas da ARRN advertiram sobre a necessidade de que o debate público sobre tecnologia nuclear se base em informação verificada e especializada. Destacaram o risco de que rumores e informação sem sustento técnico influenciem as decisões da classe política, por isso fizeram um chamado especial a recorrer a especialistas durante o processo de avaliação e adoção dessa tecnologia.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.