Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes: o desespero para salvar os que estão sob os escombros na Venezuela
As operações frenéticas de resgate continuam na Venezuela após o duplo terremoto que atingiu o país na quarta-feira à tarde.
Equipes de emergência, vizinhos e familiares seguem procurando e tirando dos escombros pessoas que ficaram presas em edifícios que desabaram em consequência dos dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que abalaram o país.
"Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes", disse à BBC Mundo desde Caracas o estudante Antoan Marín. "Não têm maquinaria especializada", acrescentou. "Nos falta ajuda".
Nesta quinta-feira viajavam equipes de resgate de diversos países para a Venezuela a fim de colaborar na busca de sobreviventes em meio a uma extensa devastação que afetou Caracas e outras cidades da costa central do país.
Vídeos publicados em redes sociais mostram edifícios residenciais e comerciais completamente colapsados, principalmente na capital e em La Guaira, enquanto familiares buscam desesperados seus entes queridos.
Em La Guaira, vizinhos denunciaram em redes sociais nesta quinta-feira que as equipes de resgate não haviam chegado e que havia dezenas de pessoas presas que não podiam ser socorridas por falta de meios.
O balanço oficial fala de pelo menos 188 mortos e mais de 1.500 feridos, mas teme-se que o número de vítimas fatais seja muito maior.
Os terremotos ocorreram com apenas 39 segundos de diferença em uma zona de falhas geológicas, aumentando seu impacto mortal.
Román Camacho, jornalista venezuelano, publicou em suas redes imagens devastadoras de La Guaira gravadas na manhã desta quinta-feira onde aparecem pessoas presas sob os escombros em zonas onde ainda não haviam chegado as equipes de resgate.
Nelas, vê-se um jovem, identificado pelo comunicador como Amir Infante, bebendo água e com a parte inferior de seu corpo esmagada por um pedaço de concreto. "Não há maquinaria, não estão os equipamentos necessários para remover escombros", explica Camacho em seu vídeo. "Há famílias inteiras presas".
Horas depois, Camacho informou que a mãe de Amir lhe havia informado que seu filho havia falecido.
A poucos metros desse lugar, um jovem gritava "Jesus!" enquanto caminhava pelos escombros procurando por pessoas com vida.
"Aqui há três vivos", relatava apontando com a mão. Como te chamas?, perguntava através de um pequeno orifício. "Anthony", respondeu uma voz que mal se escutava.
Com os olhos cheios de lágrimas, o jovem gritava uma vez mais, "Jesus, irmão, fale comigo".
Bombeiros e paramédicos, relatou o jornalista, "estão de mãos atadas".
Apesar de todos os esforços, o corte das comunicações e a falta de recursos dificultaram a resposta inicial diante da emergência. Porém, conforme avançam as horas, as equipes de resgate estão se desplegando com maior rapidez nas zonas mais críticas.
Os canais de televisão local não apenas difundiram os testemunhos de pessoas desesperadas procurando por seus familiares, como também as imagens emocionantes de vítimas resgatadas com vida que lhes dão esperança aos venezuelanos em um momento de tanta amargura.
"Deus é grande!", diz a voz de um homem enquanto resgatam com vida um bebê que havia ficado sob os escombros, conforme as imagens difundidas em um vídeo publicado pelo meio Noticias en Red.
Um dos casos que despertou a esperança na população venezuelana é o resgate em La Guaira de três sobreviventes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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