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Paraguai

Organizações ayoreo rejeitam projetos extrativistas no Parque Nacional Médanos do Chaco

19/08/2026 01:45 3 min lectura 7 visualizações

A Associação Guidai e Ducodegosode Ayoreo do Paraguai (Agdap) e a Associação Garaigosode do Povo Ayoreo (AGPA) emitiram comunicados dirigidos às autoridades paraguaias e à opinião pública nacional e internacional, por meio dos quais manifestaram sua oposição a qualquer projeto que permita atividades extrativistas dentro do Parque Nacional Médanos do Chaco.

As organizações sustentam que a área faz parte do território ancestral e tradicional utilizado historicamente pelos povos ayoreo e guaraní ñandéva, muito antes da criação do Estado paraguaio e da delimitação dos atuais parques nacionais.

Em seus comunicados, reforçam que o território não representa apenas um espaço físico ou uma fonte de recursos naturais, mas que constitui um elemento fundamental para a vida, a cultura e a espiritualidade dos povos indígenas.

Um dos principais questionamentos está relacionado ao possível ingresso de máquinas pesadas, abertura de caminhos, perfurações e outras atividades vinculadas à exploração e explotação de recursos naturais.

As organizações alertam que essas intervenções poderiam afetar as florestas, os solos e as águas subterrâneas, especialmente em zonas relacionadas com a recarga do Aquífero Yrendá, considerado um recurso hídrico estratégico para o Chaco.

Sob a perspectiva expressa nos comunicados, uma alteração desses ecossistemas poderia gerar consequências sobre a fauna e flora selvagens e comprometer a disponibilidade de água doce para comunidades da região.

Outro dos pontos centrais da denúncia é a situação de famílias ayoreo que, segundo as organizações, permanecem em isolamento e utilizam o território chaqueño como parte de seus meios tradicionais de subsistência.

A Agdap e a AGPA apontam que o avanço de atividades extrativistas poderia destruir suas fontes de alimentação e outros meios essenciais para sua sobrevivência, além de incrementar o risco de contato involuntário com pessoas externas.

As organizações qualificam essa situação como uma ameaça para a integridade física e cultural desses grupos e solicitam que se garanta uma proteção estrita de seus territórios e corredores biológicos.

Em seus pronunciamentos, as organizações também questionam o eventual desenvolvimento de atividades extrativistas por considerarem que poderiam entrar em conflito com normas nacionais e instrumentos internacionais relacionados aos direitos dos povos indígenas e à proteção ambiental.

Entre as disposições mencionadas encontram-se artigos da Constituição Nacional, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a legislação paraguaia sobre áreas selvagens protegidas e outros instrumentos internacionais vinculados aos direitos dos povos indígenas, particularmente aqueles em isolamento e contato inicial.

Um de seus principais reclamos é o respeito ao direito à autodeterminação e à consulta prévia, livre e informada ante qualquer medida que possa afetar seus territórios.

As organizações indígenas exigiram ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo a rejeição e o arquivamento definitivo de qualquer projeto de lei ou medida administrativa que busque habilitar atividades extrativistas na área.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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