Oremos
Supostamente queríamos convencer os que desprezavam o "pensamento ocidental e cristão", para que se aderissem a ele. Ao nosso. Porque éramos mais tolerantes e piedosos. Que somos a luz em meio às trevas. Tanto, quanto pelo peso da virtude que tentamos desde o princípio. Isso acreditávamos.
Até que nestes últimos tempos enfrentamos contradições que não previmos. Como quando a conduta que proclamamos não coincide com o que finalmente admitimos.
A situação é gerada – sem dúvida alguma – pela democracia malformada instaurada em quase todo o universo. A que terminou por nos igualar ao que havíamos combatido no passado. Tanto nos afanamos em instaurar o bem sem combater adequadamente o mal, que terminamos nos constituindo em uma sociedade medíocre, elástica e relaxada, que nos deixou em destinos desertos de virtude.
No que a realidade transtorna o que proclamamos nos documentos e o que ensinamos em nossas escolas; para deixar nosso destino nas mãos de líderes ignorantes, soberbos, despectivos diante de tudo aquilo que signifique respeito, tolerância; senso de justiça ou de compaixão. Moralmente incompetentes.
São os Trump e seus "Apóstolos" que vêm marchando. Neles se reencarnam as novas hordas da barbárie buscando os ombros nos quais descarregar o renascido desprezo pelos opostos a seus desígnios. E por isso qualquer coletivo nacional deve ser castigado – com tarifas ou bombardeios – conforme a condenação que determinarem.
Por tudo isso enfrentamos um dilema: Como orientaremos agora a moral, a educação e a visão do orgulho ocidental e cristão, quando os paradigmas que nos guiavam terminaram jogados entre os trastes velhos e inservíveis da humanidade? Se desde as remotas origens, "os maus" se manifestavam irredutivelmente hostis diante de qualquer pensamento diferente declarando-os infiéis ou inimigos de Alá para negar-lhes o direito à vida, agora nos aderimos ao método. Ao proclamado por Milei, Trump ou qualquer fanático "influenciador".
Não buscávamos acaso desde as concepções cristãs da vida que nunca fomos nem seremos iguais, mas que as diferenças polidas com educação e suas virtudes, nos abririam as portas para a convivência?
Essas vozes hostis que agora se escutam mais nítidas, provêm das mesmas alturas do poder mundial, têm e terão um efeito devastador quando ressoem lá embaixo, no povo miúdo; onde a gravidade de seus acentos se multiplicará em consequências que tornarão ainda mais difícil a vida dos que já não têm nada. Dos que só têm a violência como oxigênio para a sobrevivência.
Porque as expressões que se escutam ultimamente cada vez mais nítidas, não são pensamentos de governo. Não são ideologias políticas. Trata-se simplesmente do que sentenciar um poderoso, ou algum de seu rebanho. Qualquer um que tenha uma concepção diferente de Deus ou da vida; e representa, sem dúvida alguma, um desprezo absoluto diante da história e do futuro da humanidade.
O que pode chegar a suceder com a humanidade quando milhões de deslocados que já não tinham aonde viver, criar suas famílias, alimentá-los e educá-los, vejam agora que não têm senão seguir as vozes que lhes chegam das alturas?
Jeremy Rifkin, sociólogo, economista, escritor e orador estadunidense, havia predito já no início deste século: que o fim do mundo não será o que sempre imaginamos. A consequência de algum cataclismo nuclear ou de um poderoso transbordamento da natureza. Sucederá quando a população majoritária que sobrevive apenas, saia às ruas a reclamar dos que têm, pelas desventuras que eles padecem… Mais ou menos palavras.
Pretender o exercício de sentimentos como piedade, compaixão, respeito, tolerância… já não têm sentido em um mundo de hoje onde as vozes dos líderes vocifeiam consignas que antes somente sussurravam as multidões iradas nas sombras.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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