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Economia

Brasil restringe apostas online: impacto financeiro no futebol profissional

Medida provisional do presidente Lula proíbe casas de apostas e patrocínios no futebol; 14 dos 20 clubes da primeira divisão perdem receitas de até USD 200 milhões

01/10/2026 11:45 3 min lectura 32 visualizações

Medida provisória e contexto político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira uma medida provisória que impede toda atividade de casas de apostas online no Brasil, incluindo patrocínio de equipes desportivas. A decisão se justifica nos efeitos nocivos das apostas na saúde pública e no alto endividamento de famílias brasileiras.

A medida ordena que até 5 de outubro seja retirada a publicidade das casas de apostas, embora não especifique detalhadamente seus efeitos sobre o futebol profissional. O Senado tem 120 dias para decidir se converte a medida provisória em lei.

Impacto econômico em clubes e confederação

Catorze dos vinte clubes da primeira divisão do Brasileirão têm uma casa de apostas online como patrocinador principal. Essas receitas representaram 34% dos ingressos comerciais para as equipes em 2025, equivalente a aproximadamente USD 200 milhões, conforme dados da empresa Galapagos Capital.

O Flamengo, atual campeão da Libertadores e do Brasileirão, mantém com a Betano o maior contrato de patrocínio na história do futebol da região: USD 46 milhões anuais. Seu presidente, Luiz Eduardo Baptista, apontou a dificuldade que representa essa situação para honrar compromissos anteriores, como o pagamento ao meia Lucas Paquetá.

A Betano também patrocina o Brasileirão e a Copa do Brasil. A Confederação Brasileira de Futebol recebe aproximadamente USD 14 milhões anuais pela aparição da marca no nome das competições, de acordo com relatórios especializados.

Respostas legais e posições dos clubes

As principais associações de casas de apostas solicitaram ao tribunal supremo a suspensão da medida por considerá-la inconstitucional. O Flamengo anunciou sua adesão a esse recurso legal.

O governo propôs uma mesa de diálogo com os clubes para essa semana, embora tenha sido adiada até após a primeira volta das eleições do domingo, conforme informação do ministério de Esportes.

O Santos suspendeu seu contrato com uma casa de apostas, cujo logo deixará de aparecer na camisa da equipe no jogo previsto contra o São Paulo, confirmou uma fonte do clube.

Preocupações com desvalorização de ativos

Especialistas alertam sobre a incerteza que enfrentam os clubes, com uma possível desvalorização de seus ativos comerciais e eventuais ações judiciais. Fabiana Bentes, do centro de estudos Sou do Esporte, explicou que uma empresa endividada sem segurança jurídica que não consegue honrar compromissos sofre desvalorização significativa.

Pedro Lourenço, dono do Cruzeiro, descreveu a perda como muito grande, manifestando dificuldades em quantificar sua magnitude enquanto revisa as contas do clube.

O clube de Belo Horizonte receberá apoio econômico do governo estadual de Minas Gerais, que anunciou assistência para os clubes locais que ficam sem patrocínio.

Dificuldades na busca de novos patrocinadores

Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, apontou as dificuldades que os clubes terão para encontrar novos patrocinadores. Destacou que a desvalorização do ativo ocorre porque qualquer empresa interessada em patrocinar um clube de futebol encontrará quase todas as equipes disponíveis simultaneamente, o que reduz o valor de mercado da camisa, peça onde domina a publicidade dessas empresas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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