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Internacional

O testemunho de Shay Gross, o menino resgatado em Uganda

Meio século depois da operação Entebbe, o relato em primeira pessoa de quem tinha apenas seis anos

05/07/2026 05:15 3 min lectura 4 visualizações
El testimonio de Shay Gross, el niño rescatado en Uganda

No sábado, 4 de julho, comemorou-se exatamente meio século de uma das operações militares mais audaciosas do século XX: a operação Entebbe. No dia 4 de julho de 1976, comandos das Forças de Defesa de Israel (FDI) percorreram mais de 4.000 quilômetros em um voo furtivo em direção a Uganda para libertar os passageiros do voo 139 da Air France, sequestrado por terroristas palestinos e alemães. Entre os reféns encontrava-se Shay Gross, que tinha apenas seis anos. Na comemoração do 50º aniversário daquele acontecimento, seu relato em primeira pessoa revive o terror da captura, a angústia da espera e o relato de uma libertação extraordinária.

Do viagem sonhada ao horror no ar

O destino original da família Gross era Los Angeles, onde seus pais trabalhariam como professores. Em uma época sem voos diretos, a rota incluía escalas em Tel Aviv e Paris. Para o pequeno Shay, subir ao avião representava uma aventura, mas a ilusão se transformou em uma experiência traumática após decolar da escala intermediária.

"Lembro que minha mãe estava brincando comigo. De repente, escuto gritos. Vejo os terroristas alemães correndo pelos corredores com pistolas e granadas", remembra.

Os sequestradores ordenaram aos passageiros que se sentassem com as mãos na nuca e as janelas fechadas. Para evitar rebeliões, separaram as crianças de suas famílias. "Minha mãe me colocou debaixo de sua saia, mas um quarto de hora depois a levaram também. Fiquei completamente sozinho. Foi um medo paralisante", relata.

Um aniversário entre balinhas e a incerteza

Após reabastecerem em Nairobi, o avião pousou em Entebbe, Uganda. "Ali começou a semana mais difícil da minha vida", afirma Shay. A tensão era extrema durante os dias de cativeiro. Nesse contexto, no dia 2 de julho, Shay completou seis anos. Sua mãe resgatou um fragmento de normalidade em meio à crise: "Comemorei meu aniversário lá com algumas balinhas de toffee que ela tinha".

Na medida em que passavam os dias, a esperança se desvanecia. "Na sexta-feira, na véspera do Shabat, minha mãe nos levou a mim e ao meu pai até a janela. Olhou duas estrelas e acendeu umas velas improvisadas. Meus pais começaram a chorar. Ao crescer, entendi a verdade: eles sabiam que íamos morrer ali. Ninguém sonhava que alguém viria de 4.000 quilômetros para nos procurar".

O assalto e a libertação

Na noite do sábado, 3 de julho, a ação militar foi posta em marcha. Michel Bacos, o capitão francês que se recusou a abandonar os passageiros judeus, havia advertido ao pai de Shay que se refugiassem em um escritório adjacente se algo acontecesse.

"Acordei com o som dos disparos. Parecia como se milhares de garrafas se quebrassem ao mesmo tempo", relata Shay. Escondidos e isolados, não escutaram os megafones do comando israelita ordenando que se deitassem no chão. Convencidos de que os terroristas vinham para executá-los, seus pais tomaram uma decisão extrema para proteger a criança durante os momentos mais críticos do resgate.

O testemunho de Shay Gross representa um relato humano singular de um dos eventos históricos mais significativos da década de 1970, proporcionando uma perspectiva única sobre os fatos que marcaram gerações.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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