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Paraguai

O Canhão Cristiano: símbolo histórico do esforço nacional paraguaio

19/08/2026 08:45 3 min lectura 32 visualizações

Importância histórica do Canhão Cristiano

O senador e historiador Eduardo Nakayama ressaltou a transcendência histórica do Canhão Cristiano para o Paraguai, sinalizando que este artefato representou o considerável esforço nacional realizado por toda a população paraguaia durante a Guerra da Tríplice Aliança. Segundo Nakayama, o canhão encarna a combinação de valentia, inteligência, inovação e patriotismo que caracterizou a nação nos momentos mais críticos de sua história.

Construção e características técnicas

O historiador informou que no dia 25 de março de 1867, Assunção recebeu o denominado "canhão monstro", construído na fundição de Ybycuí utilizando bronze proveniente dos sinos paraguaios. Com um peso de 980 arrobas (equivalente a 11 toneladas), representou o canhão de maior tamanho e calibre fabricado no Paraguai até esse momento, além de ser o de maior calibre utilizado pelos beligerantes na contenda.

Recepção popular em Assunção

Nakayama descreveu o momento em que se conheceu a chegada do Canhão Cristiano à capital. Uma multidão se concentrou na praça de São Francisco, frente à Estação da Estrada de Ferro, onde as mulheres empurraram o artefato em direção aos arsenais com considerável emoção e vítores repetidos. Segundo o relato, as mulheres solicitavam também ser autorizadas a se incorporarem ao exército nacional e participarem do combate.

Os poucos sinos que permaneciam nas igrejas da cidade repicaram ao passar do canhão, que foi recebido também com música e manifestações de alegria popular.

Trajetória e pedidos de devolução

O Canhão Cristiano encontra-se atualmente exposto no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Nakayama indicou que o artefato tem sido objeto de diversos pedidos de devolução que não se concretizaram até o presente, apesar de que durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia-se prometido sua restituição.

O senador expressou a esperança de que nesta ocasião a promessa se cumpra, permitindo "sanar feridas do passado" e possibilitando que ambos os povos se olhem "como vizinhos e irmãos que compartimos muito mais coincidências que diferenças".

Prática histórica de devolução de troféus

Nakayama destacou que a retenção de troféus de guerra por parte dos antigos beligerantes constitui uma realidade presente em todo o mundo entre praticamente todas as nações, especialmente as grandes potências que buscam produzir símbolos tangíveis para perpetuar suas glórias militares.

Exemplificou citando casos históricos desde a antiguidade, como os enfrentamentos entre Grécia e Pérsia, até períodos mais recentes, como as rivalidades entre França e Inglaterra, onde as nações buscaram preservar peças tomadas ou capturadas de seus inimigos.

Devoluções como gestos diplomáticos

O historiador sinalizou que historicamente constituiu uma prática diplomática generalizada a devolução destes troféus como expressão de irmandade, paz e reconciliação entre povos que demonstram ter superado seus antigos antagonismos.

No contexto específico da Guerra da Tríplice Aliança, Nakayama recordou que o Uruguai foi o primeiro país a efetuar uma devolução em 1885, durante a presidência do general Máximo Santos. Este gesto foi reconhecido por Assunção mediante o nomeamento de uma importante avenida em honra a Santos e o renomeamento da antiga Praça de São Francisco como Praça República do Uruguai, atualmente denominada Praça Uruguaia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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