O que é e como funciona o novo fundo soberano de riqueza criado pelo Canadá
O Canadá colocará em funcionamento um fundo de investimento de propriedade estatal para financiar grandes projetos de desenvolvimento no país, segundo anunciou o primeiro-ministro, Mark Carney.
O 'Fundo Canadá Forte', uma iniciativa inédita no país, investirá nos setores de energia, infraestrutura, mineração, agricultura e tecnologia, com um aporte inicial de US$ 18,4 bilhões.
O fundo também permitirá que os cidadãos canadenses que disponham de 'algum dinheiro extra' invistam diretamente nele. No entanto, os especialistas advertiram que isso acarreta o risco de oferecer 'rendimentos limitados'.
Esta medida faz parte de um objetivo mais amplo do governo de Carney que visa impulsionar a economia do Canadá diante das ameaças tarifárias procedentes dos Estados Unidos.
Durante o anúncio, feito esta semana em Ottawa, Carney afirmou que o Canadá se encontra em um momento crítico de sua história, devido à mudança na relação com os EUA, o que exige investir e construir em ritmo urgente.
'Os Estados Unidos mudaram; esse é seu direito', declarou. 'E nós estamos respondendo; esse é nosso imperativo'.
O primeiro-ministro assinalou que o fundo investirá — junto com o setor privado — no que seu governo qualificou como 'projetos de construção nacional', tais como a modernização de portos e o desenvolvimento de recursos naturais.
'Muitos países que gozam da riqueza dos recursos naturais, como a Noruega, contam com fundos soberanos de riqueza. O Canadá não tinha um... até agora', afirmou o primeiro-ministro.
O Instituto Econômico de Montreal advertiu que o fundo 'corre o risco de sair muito caro aos contribuintes, ao mesmo tempo que gera rendimentos limitados'.
Os conservadores da oposição também criticaram a medida.
Seu líder, Pierre Poilievre, qualificou a iniciativa como um 'fundo de dívida soberana', fazendo notar que as finanças do país se encontram em situação de déficit.
'Noruega, Singapura e Arábia Saudita registram grandes superávits orçamentários, os quais acumulam e injetam em seus fundos soberanos de riqueza', assinalou Poilievre.
'Carney não dispõe de superávit e, por conseguinte, carece da riqueza necessária para nutrir um fundo dessa natureza'.
O líder conservador também questionou o motivo pelo qual Carney pretende destinar fundos públicos a grandes projetos de infraestrutura.
'Se um projeto possui uma justificativa econômica sólida, por que é necessário que o governo o financie?', perguntou Poilievre.
Durante o anúncio, Carney afirmou que a posição financeira do Canadá melhorou e que o déficit é inferior ao que seu governo havia previsto, o que tornou possível a criação da iniciativa.
Acrescentou que o investimento estrangeiro no Canadá experimentou um incremento e que, na atualidade, 'supera o ritmo de crescimento de todas as demais grandes economias'.
O governo informou que, ao longo dos próximos meses, realizará uma série de consultas para definir os detalhes relativos ao fundo.
Carney reconheceu o mérito de outros países por terem tido 'a visão, há já muitas décadas', de criar seus próprios fundos soberanos de riqueza.
Entre eles se encontra a Noruega, que em 1990 colocou em funcionamento um fundo que investe os ingressos excedentes de seu setor de petróleo e gás.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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