O "mundial" de cada dia
Juvenal, poeta romano, popularizou em sua Sátira X a expressão "pão e circo" como uma crítica ao povo que havia se esquecido de interessar-se pela política e escolher adequadamente suas autoridades e incidir nas decisões públicas. Para muitas autoridades é interessante ter a população distraída, tranquila e afastada. Todos sabíamos que, acontecesse o que acontecesse, era preciso cumprir o pagamento de faturas antes do vencimento, fazer os exames médicos de rotina, continuar estudando ou recuperando exames, manter ou aumentar as vendas, cuidar de gastos e cobranças e lograr que a produtividade não decaia; ou seja, a terra segue girando, goste eu ou não.
No outro "mundial" que jogamos cada dia, continua-se sentindo que a Justiça ainda é manuseável, lenta e controversa. Recordemos que todos os especialistas, próximos e distantes, continuam nos recomendando previsibilidade, seriedade institucional, seriedade jurídica. Continuam faltando medicamentos e, sobretudo, tratar bem os bons profissionais. Só para lembrar um exemplo de um ramo que conheço muito bem há 50 anos: é absolutamente impossível pretender ser um hub de serviços sem melhorar a educação, o que significa que haja pessoas com capacidade crítica, que possam trabalhar em equipe, que se destaquem em matemáticas, tenham idiomas e raciocínio lógico, e não significa que o diretor da escola mude de veículo, viaje mais ou que se troquem as plantas do pátio (tudo isso poderia estar bem, embora não seja prioritário).
Está bem pretender ser campeão mundial em qualquer disciplina desportiva ou artística; também poderíamos pretender ter o melhor índice mundial de nutrição infantil, ou a melhor avaliação educativa no ensino primário, ter proporcionalmente a maior quantidade de quilômetros de rios e arroios navegáveis e sem contaminação, ou ter os melhores indicadores de bem-estar nas pessoas com menores rendimentos. Estes são alguns exemplos que já expressei na respectiva coluna ADEC de 2022.
Tudo se pode lograr, ainda que para isso precisemos de líderes de trincheira que não temam a crítica e defendam suas decisões com solidez, não populistas, estadistas que renunciem a apetites pessoais e mediatos por um futuro melhor, ainda que antes implique sacrifícios.
Que o Espírito Santo nos outorgue fé, perseverança e coragem.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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