O Hackathon Kyhyje'ỹ IA reunirá 14 equipes estudantis de Alto Paraná e Caaguazú
Uma iniciativa educativa inovadora
Um grupo de 64 estudantes dos últimos anos do Bachillerato Técnico em Informática participará do Hackathon Kyhyje'ỹ IA com o objetivo de criar ferramentas digitais inovadoras. A iniciativa busca desenvolver aplicações de inteligência artificial generativa orientadas ao aprendizado de Matemática e Física utilizando o guaraní jopara, a variante linguística cotidiana no Paraguai. A competição presencial se realizará de 25 a 27 de setembro em Alto Paraná, no marco do Projeto GuaranIA, uma proposta que busca integrar a tecnologia no âmbito escolar para favorecer a inclusão de populações vulneráveis e rurais.
Respaldo institucional e preparação prévia
O Projeto GuaranIA é implementado pelo Centro de Engenharia para a Investigação, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (CIDIT), com o apoio financeiro do BID Lab. A iniciativa conta ainda com o respaldo de universidades internacionais, aliados do setor público e privado, e o acompanhamento das Direções Departamentais de Educação do Ministério de Educação e Ciências (MEC) de Alto Paraná e Caaguazú. Como preparação prévia ao certame, os alunos já trabalharam na criação de dados sintéticos em guaraní para treinar e avaliar os modelos algorítmicos que impulsionarão suas propostas.
O desafio "sem medo"
O nome do desafio, Kyhyje'ỹ, traduz-se como "sem medo" e responde a um diagnóstico realizado em 2025 entre 1.178 estudantes de ensino médio. Dito estudo identificou que as matérias científicas geram temor ao erro e confusão idiomática ao explicar conceitos abstratos. Diante deste cenário, o desafio propõe soluções que transcendam a mera tradução literal do castelhano ao guaraní, propondo a inteligência artificial como um tutor pedagógico capaz de oferecer assistência conversacional, gerar exercícios práticos e corrigir procedimentos passo a passo de forma amigável.
Estrutura da competição
Um total de 14 equipes multidisciplinares assumirão o desafio de desenhar, programar e estruturar os aspectos didáticos e linguísticos das plataformas. Cada grupo estará guiado por um mentor especializado em informática, enquanto docentes de Matemática e Física validarão os conteúdos disciplinares. Durante a jornada intensiva de três dias, os competidores completarão o enquadramento do problema, a codificação das aplicações, a apresentação de protótipos e a defesa de seus projetos ante uma mesa avaliadora.
Critérios de avaliação
Um júri composto por especialistas em tecnologia, referentes pedagógicos do MEC, educadores e representantes da Secretaria de Políticas Linguísticas avaliará as propostas. As ferramentas serão julgadas em uma escala de 100 pontos, valorizando a função pedagógica, o rigor acadêmico, o uso do jopara, a usabilidade e o trabalho colaborativo. Serão premiados os melhores projetos nas áreas de Matemática e Física, além de entregar reconhecimentos ao melhor uso do guaraní e ao maior potencial de continuidade para seu desenvolvimento contínuo.
Implementação e validação em aulas
Após a premiação, as soluções vencedoras passarão a uma fase piloto de implementação direta nas aulas junto à equipe de investigação. A iniciativa conta com um alto respaldo da comunidade educativa, onde 97,1% dos alunos e 92,9% dos docentes expressaram sua abertura para testar estas ferramentas em classe. Desta forma, o Hackathon Kyhyje'ỹ IA reafirma a viabilidade de articular a tecnologia, a educação e a identidade linguística nacional para responder às necessidades concretas do alunado paraguaio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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