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O filme "Tenzing" resgata a história do sherpa que conquistou o Everest em 1953

Décadas após o histórico feito, a diretora Jennifer Peedom leva para as telas a vida do montanhista negligenciado pela narrativa ocidental

20/09/2026 14:15 4 min lectura 25 visualizações

Uma história postergada na tela grande

Passaram muitos anos antes de que Tenzing Norgay obtivesse seu lugar na história como o homem que, junto ao neozelandês Edmund Hillary, chegou pela primeira vez à cúpula do Everest. Décadas se passaram para que sua história fosse levada ao cinema. "Não sei por que levou tanto tempo para contar essa história", expressou a diretora de "Tenzing", Jennifer Peedom, em entrevista com a AFP. "Para mim, sempre foi a história mais interessante do Everest".

O filme, disponível na Apple TV, relata os detalhes do primeiro ascenso à cúpula do Everest em 1953, concentrando a atenção em Tenzing Norgay, que completou o trajeto até então impossível junto ao neozelandês Sir Edmund Hillary. Além de documentar esse feito, a produção se propõe a narrar a trajetória do escalador sherpa, que inicialmente foi minimizado na narrativa ocidental da histórica ascensão.

O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) após sua estreia em Telluride, traça o caminho desde a infância de Norgay no Nepal até a mítica missão junto à expedição britânica que revelaria a montanha de 8.848,86 metros sob uma nova perspectiva.

Superando adversidades no caminho

"Teve que superar tantas adversidades apenas para chegar à linha de partida no Everest, e nem menciono se tornar o primeiro homem a alcançar a cúpula. É um dos grandes feitos do século XX, e eu queria colocar Tenzing como protagonista dessa história, de sua própria história", afirmou Peedom à AFP após a estreia no Canadá.

A realização dessa história também implicou um processo desafiador para a diretora, que começou sua carreira como operadora de câmera nos Himalaias. "Formei relações durante muitos anos. Foi um processo de conquistar a confiança", explicou Peedom, reconhecida pelo documentário premiado "Sherpa" (2015), que apresenta as escaladas no Everest a partir da perspectiva dos sherpas que carregam o peso literal das expedições internacionais.

Um elenco comprometido com a história

A direção de Peedom foi determinante para a participação de Willem Dafoe, que interpreta o coronel John Hunt, chefe da expedição. Para o ator de 71 anos, a experiência foi "uma aventura", não apenas pelo desafio físico, mas pela conexão com a natureza. Fundamentalmente, representou uma oportunidade de reconhecer uma pessoa que, além de superar obstáculos enormes na montanha, enfrentou classismo e exclusão. "Nessa espécie de ressaca do mundo colonial, esse homem foi desrespeitado. Mas no final, ele provou ser o mais capaz e decidido. Não desistiu apesar de haver muitos impedimentos em seu caminho".

Tenzing Norgay participou de várias expedições fracassadas no Everest antes de se integrar à liderada por Hunt.

Exclusão e discriminação: os obstáculos invisíveis

O filme de Peedom retrata Norgay como um homem inicialmente excluído de sua própria comunidade sherpa por suas raízes tibetanas, que posteriormente enfrentou discriminação na expedição britânica, já que os sherpas eram percebidos não como escaladores, mas como carregadores de peso.

Norgay buscou constantemente provar seu valor e conquistar um lugar entre os escaladores, apenas para ser relegado por suas origens. Uma das linhas mais significativas do filme reflete essa realidade quando o personagem conclui que mérito não significa "quem é o melhor", mas "quem é o melhor entre os britânicos".

Perspectivas do elenco sobre essa reivindicação

Para Tenzin Dalha, originário de Lhasa e que interpreta o jovem Norgay, a falta de protagonismo histórico do sherpa foi uma surpresa reveladora. "Não sabia que Tenzing era uma nota de rodapé em outras partes do mundo. Para nós, ele era a superestrela", expressou.

O ator de raízes tibetanas Genden Phuntsok, que encarna o adulto Norgay, assumiu como responsabilidade pessoal a tarefa de honrar a memória do montanhista em uma produção que se propõe a corrigir o registro histórico.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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