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Economia

O dólar se tornou uma das variáveis que mais preocupa a pecuária, advertiu Mustafá Yambay

01/06/2026 04:15 3 min lectura 5 visualizações
“El dólar se convirtió en una de las variables que más preocupa a la ganadería”, advirtió Mustafá Yambay

A pecuária paraguaia atravessa um dos momentos mais particulares dos últimos anos. Enquanto os valores do gado gordo alcançam níveis historicamente altos e a reposição mantém preços recorde, a forte depreciação do dólar frente ao guaraní está erosionando a rentabilidade dos produtores e obrigando a repensar estratégias dentro dos estabelecimentos.

Mustafá Yambay, gerente geral da Ferusa Ganadera, durante uma entrevista no marco da Expo Pioneros en Vivo, analisou o cenário atual do negócio e os principais desafios que enfrenta o setor. "O dólar já superou uma queda de 20% e é uma variável à qual historicamente nunca prestamos demasiada atenção, mas hoje nos está afetando terrível nos últimos patamares", sustentou.

Segundo explicou, o mercado de reposição continua mostrando uma firmeza poucas vezes vista. Embora a demanda tenha perdido parte da intensidade observada durante os primeiros meses do ano, os valores do bezerro se mantêm em níveis historicamente elevados.

"O bezerro não encontra piso. A demanda se moderou, mas os preços também não recuam o suficiente para que volte a fluir mais o negócio", indicou.

Yambay atribuiu parte da desaceleração na demanda à melhora das condições forrageiras gerada pelas chuvas, que permitiu a muitos invernadores cobrir suas necessidades de ocupação de pastagens. Porém, ressaltou que a equação econômica continua sendo complexa para quem precisa comprar reposição cara e vender sua produção em uma moeda que perdeu capacidade de compra.

"Está sendo muito complicado o exercício de comprar a estes valores do bezerro e vender esse produto finalmente em dólares com a desvalorização que estamos vendo", afirmou.

Um gado gordo recorde, porém com "gosto amargo"

O gerente da Ferusa reconheceu que os preços do gado gordo alcançaram níveis que anos atrás pareciam inatingíveis. "Há dois anos sonhávamos com um gado de US$ 4 por quilo carcaça e hoje estamos negociando haciendas a US$ 5", recordou.

Porém, sinalizou que a satisfação por esses valores fica relativizada quando se analisa o efeito do tipo de câmbio sobre a estrutura de custos.

Explicou que grande parte dos custos operativos, financeiros e de reposição estão nominados em guaraníes, portanto a perda de valor do dólar termina reduzindo significativamente a margem real do negócio.

"Nós sempre dizemos que se um animal deixa um milhão de guaraníes brutos estamos fazendo bem as coisas. Mas com essa queda do dólar estamos perdendo uns G. 200.000 dessa margem antes de começar a descontar outros custos", exemplificou.

Inclusive mencionou mudanças drásticas nas relações de intercâmbio dentro da pecuária. "No ano passado vendíamos uma vaca de descarte e comprávamos 1,2 novilhas prenhes. Hoje vendemos uma vaca de descarte e mal compramos um bezerro", sinalizou.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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