O chanceler da Alemanha afirma que Irã está "humilhando" os EUA
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, criticou a estratégia dos Estados Unidos em sua guerra com o Irã, pois disse que não vê que saída tem Washington para solucionar o conflito e que está "sendo humilhado pelos líderes iranianos" nas negociações.
Merza fez essas afirmações nesta segunda-feira em um encontro com estudantes na cidade de Marsberg, onde disse que os iranianos estão "obviamente negociando com muita habilidade" e são "claramente mais fortes do que se pensava".
"É evidente que os americanos não têm uma estratégia, e o problema com conflitos como este é sempre que não basta a entrada, também é preciso sair", afirmou o chanceler na conversa.
"Vimos isso de maneira muito dolorosa no Afeganistão, durante 20 anos. Vimos no Iraque. Assim que todo esse assunto é, como disse, pouco meditado, para dizer o mínimo. No momento, não vejo que saída estratégica estão escolhendo os americanos, especialmente porque os iranianos estão negociando obviamente com muita habilidade ou, melhor dizendo, com muita habilidade não negociando e deixando que os americanos viajem a Islamabad só para saírem de novo sem nenhum resultado", continuou.
Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar em grande escala em 28 de fevereiro, o que provocou uma resposta de Teherã contra território israelense e outros países do Oriente Médio. O conflito escalou ao fechamento do estreito de Ormuz, uma passagem vital para o comércio de petróleo do golfo Pérsico.
Embora EUA e Irã tenham acordado uma trégua que iniciou em 8 de abril, os diálogos com mediação do Paquistão em Islamabad, que têm como fim alcançar um acordo final, se estancaram nas últimas semanas.
O conflito atingiu países que dependem diretamente do petróleo do Golfo, mas também encareceu os energéticos em nível global, incluindo a Alemanha e vários países da Europa.
Para Merz, a forma como os líderes iranianos aproveitaram suas vantagens exibiu a má estratégia dos americanos.
"Toda uma nação está sendo humilhada pelos dirigentes do Estado iraniano, especialmente pela chamada Guardia Revolucionaria", sustentou.
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Diante do panorama atual, Merz lamentou que os EUA não tenham tido uma boa estratégia nem que o presidente Donald Trump tenha levado em conta seus aliados europeus.
"Nós, como europeus, oferecemos -e dissemos que estávamos dispostos- a ajudar a reabrir o estreito de Ormuz após o fim das negociações. Oferecemos enviar caça-minas da Alemanha para ajudar a limpar a passagem de minas, já que claramente foi, pelo menos parcialmente, minado. Podemos ajudar nisso, mas primeiro devem terminar os combates", disse o chanceler aos estudantes em Marsberg.
"E no momento não vejo como isso pode ser alcançado em um futuro próximo, porque os iranianos são claramente mais fortes do que se pensava e os americanos claramente não parecem ter uma estratégia de negociação convincente. Lamento ter que dizer isso, mas, no momento, é uma situação bastante complicada", acrescentou.
O líder alemão também lamentou que o conflito no Oriente Médio esteja causando golpes à economia de seu país pelo incremento nos custos dos energéticos, por isso disse que a guerra "deve terminar o quanto antes".
No entanto, os esforços diplomáticos em Islamabad se estancaram apesar de que Trump prorrogou o alto-fogo, que devia expirar em 22 de abril, para permitir que continuassem as conversações.
No sábado, o presidente dos EUA anunciou o cancelamento da viagem de funcionários americanos a...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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