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Paraguai

O 9 que Olimpia precisa

Uma crítica que vai além do futebol para questionar a liderança do país

11/09/2026 07:45 4 min lectura 242 visualizações

O número 9 no futebol, diz, é o centroavante, a referência principal no ataque, encarregado de transformar as jogadas em gol e liderar a ofensiva. Dizem que tem instinto goleador, mobilidade tática, jogo de costas, leitura de jogo e blá, blá, blá.

A verdade seja dita, desde minha total ignorância, eu acredito que Olimpia tem outros problemas: Quem vai fazer um passe decente para o 9? Se só chutam para a lua. O outro, e mais importante, é que o capitão está para se aposentar e não se vê um jogador com suas características de liderança. Já sei que há uma longa fila de haters odiadores de Richard Ortiz, mas devem reconhecer que com o Capi em campo o time joga melhor. É raiva só que Vitamina não quer nem é capaz de explicar-lhes como se monta uma boa defesa. Enfim!

Falta um 9 em Olimpia? Não sei, mas posso dizer-lhes o que falta ao país, e não os vejo preocupados nem denunciando Coto por isso.

Ao país não falta um número 9, falta um presidente.

Um que seja capaz de dar a cara frente aos problemas ou quando há uma greve de médicos. Não é nem tão difícil e ainda por cima se lhe paga para isso.

Terão se inteirado da greve de médicos que durou uma semana inteira, com reivindicações justas e necessárias. Pedem melhor salário e melhores condições de trabalho e também colocam ênfase em todas as carências de medicamentos e insumos que afetam a população.

Os trabalhadores sabemos o que custa viver neste país e enfrentar uma doença com rifas e festas beneficentes. Os outros, não.

Esses que vivem de nossos impostos, os privilegiados que no Congresso ganham 37 milhões, e que dizem "não há dinheiro", esses não sabem o que é lutar contra o câncer só com rifas e festas beneficentes.

Os médicos só pedem cobrar o que corresponde por trabalhar feriados, por trabalhar doze horas; melhorar a condição laboral nos hospitais que contratem mais médicos para que a população não espere tanto para consultar e não se tenha que comprometer a vida dos pacientes quando há um único médico de plantão na Emergência.

Também exigem os elementos necessários básicos para poder realizar os atendimentos médicos e que os parentes não tenham que ir correndo conseguir os insumos em alguma farmácia perto do hospital.

Enquanto isso, você, senhora, vai continuar a se irritar porque não há medicamentos para o tratamento de doentes oncológicos ou para diabetes e hipertensão, a estrutura do Governo foi colaborar com o rali. São maus de verdade.

Há umas semanas Santiago Peña cumpriu sua jornada "laboral" (piscada) desde Encarnación, em meio à greve de médicos e à crise de saúde pública. Sobre a greve não quis falar, mas como bom puxa-saco que é, ficou a perder tempo vendo carritos e dançando com a esposa. E, para a segunda parte da greve está preparando outro viagenzinho.

Realmente foi insultante que –em plena greve de médicos– o Governo destinasse ambulâncias dos hospitais públicos para o Mundial de Rali.

Os parlamentares fizeram a pantomima de interessar-se pela situação, mas no primeiro dia na Câmara a maioria colorado cartista deixou sem quórum a sessão só para evitar o tema da greve.

Esses mesmos, que nem assistem ao seu trabalho no único dia da semana que têm que comparecer à sessão da Câmara se atrevem a dizer que os médicos "só trabalham 12 horas". Agora armaram uma comissão, que já sabemos como terminará.

Os colorado-cartistas estão contra o povo, podem fazer o que quiserem com sua maioria no Congresso, mas escolhem votar contra o povo. E resulta que a "economia florescente" do gigante que se desperta não tem dinheiro para os médicos.

O cidadão deve saber que o colorado Santiago Peña nos menospreza, que só cuida de seus próprios interesses; é em suma o que na cancha chamamos de um peito frio.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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