Negociações de Itaipu: especialista analisa cenários de tarifas e acordos futuros
Perspectiva sobre as negociações futuras
De acordo com o engenheiro Guillermo López Flores, considerando os antecedentes existentes, não se antecipa uma postura negativa por parte do Brasil. A principal consideração é conseguir chegar a tempo para uma negociação efetiva da tarifa.
Situação atual de tarifas
Durante o período 2024 a 2026, Brasil aceitou pagar uma tarifa de USD 19,28 por kW/mês, o que deixou ao Paraguai aproximadamente USD 650 milhões anuais destinados a obras, segundo explica López Flores. O entendimento firmado entre Paraguai e Brasil em maio de 2024 estabelece que a partir de 2027, a tarifa refletirá apenas o custo estrito de operação, sem incluir custos discricionários.
Com o pagamento da dívida de construção finalizado em 2023, a fórmula do Comitê de Estudos para a Avaliação do Custo Unitário do Serviço de Eletricidade (Cecuse) de Itaipu Binacional projeta uma tarifa entre USD 8 e USD 10 por kW/mês.
Cenários projetados
A partir destes cálculos, é provável chegar-se a uma tarifa que reflita unicamente o custo do serviço e o término do acordo operativo de repartição do excedente, que favoreceu o Paraguai com energia de menor custo, adverte López Flores. Segundo o acordo de 2024, esse acordo operativo vigora até 31 de dezembro de 2026; para prorrogá-lo deve ser formalizado novamente, e se não se realizar essa ação, expirará automaticamente.
Neste cenário hipotético, Itaipu continuaria funcionando com seus custos operativos (salários, manutenção, royalties mínimos), o suprimento de energia seguiria disponível em ambos os países, mas desapareceria o plus de USD 650 milhões. Como assinala o especialista, Brasil poderia argumentar, com fundamento legal, que simplesmente estaria cumprindo o que está estabelecido no Tratado.
Impacto na ANDE e consumidores
Por outro lado, essa situação implicaria um alívio direto para a ANDE. Atualmente, a ANDE compra à Itaipu a potência que necessita à mesma tarifa que paga Brasil. Passar de USD 19,28 para entre USD 8 ou 10 por kW/mês representaria uma redução de custos entre 38% e 48%, segundo esses cálculos.
Porém, isso não necessariamente significaria uma redução na tarifa para o consumidor final. Essa economia contribuiria às finanças da ANDE, não diretamente à fatura do usuário. O que o usuário ganharia é outro benefício: com a tarifa de Itaipu em baixa, evitar-se-ia o aumento tarifário que já estava previsto para o próximo ano.
Análise de opções
Na análise que propõe o especialista, existe uma bifurcação inevitável nos resultados: de um lado, o Fisco perderia os USD 650 milhões destinados a obras; do outro, a ANDE obteria respiro financeiro e o consumidor se pouparia de um aumento em suas faturas de eletricidade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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