Nayib Bukele defende a reeleição indefinida em El Salvador após críticas de Washington
Presidente salvadorenho responde a questionamentos sobre concentração de poder
Carolina Jiménez Sandoval, presidenta da organização Oficina em Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), questionou a reeleição indefinida em uma mensagem no X.
"Países com reeleição indefinida na América Latina: Venezuela, Nicarágua, El Salvador. Que fique muito claro em qual clube entra agora Nayib Bukele", escreveu Jiménez.
Em resposta, Bukele publicou que "também a têm Canadá, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Luxemburgo, Áustria, Suíça e Japão, entre muitos outros países. Mas a ideia é que soe mal", junto com um emoji de uma cara rindo.
Em outra mensagem, Bukele afirmou que "alguns alegam que a reeleição indefinida viola a Constituição salvadorenha. No entanto, a Constituição foi reformada por uma supermaioria legislativa, outorgada democraticamente pelo povo salvadorenho nas urnas".
"Além disso, nossas eleições foram observadas por milhares de representantes internacionais. Nenhum organismo multilateral, nem um único país do mundo, nem de esquerda nem de direita, declarou que não tenham sido eleições livres, transparentes e democráticas. Ao final, cada povo escolhe seu próprio caminho", enfatizou o mandatário.
A gestão de Bukele apresenta altos níveis de segurança, mas é criticada por acusações de violações massivas de direitos humanos e concentração do poder, assim como por crescentes demandas econômicas por parte da população.
Bukele acrescentou que "praticamente todos os países modificaram suas constituições" e que "em muitos casos, essas mudanças ocorreram por meio de guerras, golpes de Estado ou processos violentos; não por meio de uma festa cívica nas urnas, como fizemos os salvadorenhos".
O partido Novas Ideias (NI), de Bukele, informou na segunda-feira que o chefe de Estado venceu nas primárias realizadas no domingo a candidatura presidencial para as eleições de 2027.
Bukele, de 42 anos, não se referiu publicamente a este processo interno, no qual aparentemente não teve adversário.
Como próximo passo rumo às eleições gerais de fevereiro de 2027, o mandatário salvadorenho deverá registrar sua candidatura perante o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) no período entre 1º de outubro e 19 de novembro de 2026, de acordo com o calendário eleitoral do órgão colegiado.
A Assembleia Legislativa (Parlamento), dominada pelo partido NI de Bukele, aprovou e ratificou em um único dia 31 de julho de 2025 sem análise anterior nem debate, a reforma aos artigos 75, 80, 133, 152 e 154 da Constituição, com o que o presidente Bukele tem a via livre para optar por um terceiro mandato consecutivo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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