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Sociedade

Mulheres indígenas do Paraguai demandam reconhecimento oficial das parteiras tradicionais

06/09/2026 14:01 3 min lectura 418 visualizações

Demanda por reconhecimento de saberes tradicionais

Representantes de organizações comunitárias se reuniram em uma praça da capital paraguaia, Assunção, para encerrar uma semana de atividades e fóruns em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres Indígenas, que se celebra neste sábado.

A secretária executiva da Articulação de Mulheres Indígenas do Paraguai (MIPY), Tina Alvarenga, destacou a importância dos conhecimentos tradicionais e o papel fundamental das parteiras indígenas. "Reivindicamos esta semana a importância dos conhecimentos tradicionais, a importância do papel, do rol das parteiras indígenas em salvar vidas e em receber vidas no mundo, nas comunidades, e reivindicamos e exortamos a que se reconheça plenamente este serviço", expressou.

Limitações em serviços de saúde e violência obstétrica

Alvarenga, líder indígena guarani, apontou a ausência ou escassa presença de serviços de saúde nas comunidades e a discriminação que sofrem muitas mulheres indígenas nos hospitais públicos, situação que as leva a preferir dar à luz com suas parteiras comunitárias.

"As parteiras tradicionais seguem sendo como o braço executor ante a ausência de uma política pública de um serviço de qualidade e calidez na atenção às mulheres que estão grávidas ou que estão parindo", enfatizou a representante.

Diferenças culturais na atenção do parto

Alvarenga identificou um choque cultural nos centros de saúde públicos, onde geralmente apenas se permite o parto em posição horizontal, diferentemente dos partos verticais ou de cócoras que são praticados nas comunidades indígenas.

Além disso, apontou que as políticas públicas no Paraguai não consideram o papel integral das parteiras, que fornecem não apenas assistência no parto, mas também contenção espiritual e psicológica às mulheres.

O acompanhamento integral das parteiras

Dominga Maciel, originária do povo indígena Angaité e enfermeira com 29 anos de experiência, explicou que as parteiras indígenas se diferenciam de médicos e obstetras porque acompanham as mulheres durante toda a gravidez, o parto, os cuidados pós-parto e inclusive trabalham com os esposos.

"É muito importante porque ajudam muito a dar vida, e são dadoras de vida, são conhecedoras de muitos medicamentos tradicionais", indicou Maciel, que também é membro da MIPY.

Maciel ressaltou a necessidade de que as parteiras sejam visíveis e que se respeitem seus saberes, considerando que possuem conhecimento ancestral acumulado durante gerações.

Exemplos de experiência e propostas

Como exemplo do impacto dessas profissionais, Maciel mencionou o caso de uma partera de 75 anos, originária de Pedro Juan Caballero, no departamento de Amambay (norte), que durante sua vida atendeu 2.001 partos.

Segundo Maciel, as mulheres indígenas deveriam ter a opção de escolher dar à luz com a partera tradicional, contanto que tenham acesso nas comunidades a serviços básicos como ultrassonografias e consultas de controle da gravidez.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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