Monteiro sobre as variáveis do negócio pecuário: "O que podemos controlar é produzir mais quilos"
A pecuária paraguaia atravessa um cenário onde cada quilo produzido adquire um valor estratégico. Com preços firmes para o gado gordo e uma crescente preocupação pela disponibilidade futura de reposição, o desafio para os produtores passa por capturar mais quilos dentro de seus próprios sistemas produtivos, melhorando tanto os pesos de abate quanto os índices reprodutivos.
Esse foi um dos principais mensagens compartilhadas por Raphael Monteiro, diretor de Nutroeste Nutrição Animal, durante uma entrevista no marco de Expo Pioneros, onde destacou que a rentabilidade atual do negócio obriga a revisar as estratégias produtivas e aproveitar as ferramentas nutricionais disponíveis.
"A gente me pergunta como vamos fazer com a reposição. Não tenho a bola de cristal para saber onde se vão acomodar os preços, mas sim vejo algo que podemos controlar: o peso de abate dos animais que já temos dentro de nossos campos", afirmou.
Para Monteiro, o produtor deve focar em aumentar a produção de carne por animal mediante programas de suplementação que permitam estender os pesos finais e melhorar o rendimento econômico de cada cabeça comercializada. "Se hoje estás acostumado a abater com 480 quilos de peso vivo, deverias pensar em suplementar para levar esses animais a 550 ou até 580 quilos. Tem que fazer números e vão ver que vale a pena", sustentou.
O especialista explicou que a suplementação estratégica sobre pastagens pode aportar ganhos de peso diários de entre 800 gramas e 1,1 quilos por animal, utilizando entre 2 e 3 quilos diários de suplementos proteico-energéticos durante períodos de 60 a 90 dias.
Segundo indicou, o benefício não só se reflete em mais quilos vivos, senão também em uma melhoria do rendimento de carcaça. "Ganhamos peso e ganhamos rendimento de carcaça. Cada 2% adicional de rendimento hoje representa muito dinheiro para o produtor", sinalizou.
Monteiro recordou que o Paraguai mantém médias de carcaça próximas aos 240-260 quilos, embora as experiências produtivas e os concursos de carcaça venham demonstrando que existem margens importantes para incrementar esses indicadores. "Temos que utilizar o recurso natural que temos, que é o pasto. A comida sempre foi e sempre será o pasto. O que devemos fazer é intervir para complementar esse pasto e manter a eficiência produtiva", explicou.
Além do engorde, Monteiro insistiu em que a verdadeira fábrica de bezerros continua sendo a vaca, por isso qualquer estratégia de crescimento do rebanho nacional deve começar por melhorar o manejo nutricional dos ventres. "O primeiro produtor de bezerros é o pecuarista dono de vacas. Tem que se conscientizar de que a vaca precisa ser cuidada e suplementada quando for necessário", afirmou.
O executivo ressaltou que o manejo de pastagens e a manutenção de uma adequada condição corporal são fatores determinantes para o sucesso produtivo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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