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Economia

Mercosul segue sem acordo sobre cotas de carne com a UE e Paraguai mantém firme seu reclamo de 25%

03/09/2026 12:45 3 min lectura 283 visualizações

Os países do Mercosul ainda não alcançaram um acordo para definir como serão distribuídos internamente os contingentes tarifários obtidos no acordo comercial com a União Europeia, uma discussão de especial importância para o negócio da carne bovina e na qual Paraguai mantém uma posição firme: uma participação equitativa de 25% para cada um dos quatro sócios fundadores do bloco.

O tema foi um dos principais pontos abordados nesta quarta-feira em Montevidéu durante a reunião informal de chanceleres do Mercosul. Ao término do encontro, a presidência uruguaia reconheceu que existem posições diferentes entre os países e confirmou que, por enquanto, não foi possível alcançar um consenso sobre o reparto das cotas.

Os ministros instruíram os equipos técnicos a continuar trabalhando sobre distintos critérios e posicionamentos apresentados durante a reunião. A intenção é que os chanceleres voltem a se encontrar presencialmente no Uruguai dentro de um período entre 45 e 60 dias, buscando aproximar posições e avançar rumo a uma definição política.

Para a cadeia carnícia, o ponto central está nas 99.000 toneladas equivalente carcaça de carne bovina que a União Europeia concedeu ao Mercosul com uma tarifa intracota de 7,5%. O volume final é composto por 54.450 toneladas de carne fresca ou refrigerada e 44.550 toneladas de carne congelada, e será habilitado progressivamente durante cinco anos.

Em termos comerciais, trata-se de uma das principais concessões agropecuárias obtidas pelo bloco sul-americano. Entretanto, o acordo entre Mercosul e a União Europeia estabelece o volume disponível para a região, mas deixa nas mãos dos países sócios a possibilidade de definir como se distribui internamente esse contingente.

E ali aparece uma discussão que será determinante para Paraguai. A posição oficial paraguaia é que as cotas sejam repartidas em partes iguais, com 25% para cada país, posicionamento que também conta com o respaldo do setor privado nacional. A Chancelaria havia ratificado essa postura no passado 18 de agosto durante uma reunião com representantes da Associação Rural do Paraguai, da Câmara Paraguaia da Carne e outros organismos produtivos.

Se esse critério fosse aplicado especificamente sobre o contingente final de carne bovina, Paraguai teria como referência uma participação equivalente a 24.750 toneladas anuais em peso carcaça, uma vez que a cota de 99.000 toneladas atinja seu volume pleno.

Não obstante, essa distribuição continua aberta e deverá ser consensuada com Argentina, Brasil e Uruguai.

Além disso, existe uma particularidade importante para o primeiro ano de aplicação do acordo. Durante 2026 não poderá ser implementada uma distribuição formal dessas cotas entre os países do Mercosul. A regulamentação europeia estabelece que quando um acordo comercial entre em vigor no decorrer do ano, a distribuição de cotas tarifárias para esse período deve ser realizada proporcionalmente aos meses que faltam para término do exercício.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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